Depois daquele dia na loja, eu e a Ayla continuamos nos vendo. Não era todo dia, claro. Ela tinha plantão, eu tinha o morro, a loja, os corres — e o risco. Mas, de alguma forma, a gente sempre dava um jeito. Às vezes era só uma passada rápida, um café de cinco minutos ali no posto de gasolina, ela saindo com olheiras e sorriso leve, eu encostado na caminhonete com um copo de cappuccino esperando por ela. Outras vezes, era mais. Um jantar simples. Um passeio. Uma volta de carro sem rumo. Ela nunca cobrava tempo. Nunca forçava nada. Mas toda vez que olhava pra mim com aquele olhar azul, tão vivo, tão cheio de mundo, parecia que eu era outro. Que eu podia ser outro. Uma noite, a gente combinou de ver um filme na casa nova que eu comprei. Tava tudo ajeitado. Eu fui buscar ela no hospital. Ta

