Aquela noite em que ela dormiu no meu peito foi um divisor. Não falei nada pra ninguém. Nem pros moleques da loja, nem pro Rick, nem pro Diguinho. Era só meu. Nosso. Uma lembrança tranquila, um espaço de calma no meio de uma vida que vivia pegando fogo. Nos dias que vieram depois, a Ayla seguiu presente. Sempre de um jeito leve. Mandava mensagem perguntando se eu tava comendo direito, se tinha dormido bem, se a loja tava indo bem. Às vezes, deixava café na recepção da loja com meu nome escrito num post-it e um “pra um certo vendedor de carros charmoso ;)”. Eu só ria, bicho. Aquilo mexia comigo de um jeito que eu nem sabia explicar. Eu tava me afeiçoando. Me apegando. E isso… pra mim, era perigoso. Mas naquela sexta-feira, o universo decidiu acelerar tudo. Era fim de tarde, o céu tava nu

