A chuva fina engrossava, pingos estourando nos guarda-chuvas pretos que formavam um mar escuro ao redor dos portões do cemitério. Os flashes dos fotógrafos iluminavam a noite em estalos brancos, como raios que rasgavam o luto. Cada disparo parecia um disparo de arma, e Julie se encolheu instintivamente contra o corpo de Romeu. Ele a segurava pela cintura, firme, o calor da mão atravessando o tecido frio do vestido preto. O gesto dele não era apenas protetor, era possessivo, um lembrete silencioso de que, ali, ninguém a tiraria de seus braços. Mas Julie sentia o peso dos olhares. O mundo parecia faminto pelo espetáculo da sua queda. Como se ela fosse um segredo prestes a ser exposto, uma ferida aberta que todos queriam ver sangrar. Do outro lado, Patrícia, sob o véu de luto e batom verme

