Episódio 10: Dívida paga

1095 Palavras
Antonela Ribas Ele não esperou mais. As mãos de Heitor alcançaram meu braço, e em um movimento brusco ele me puxou da cadeira. Meu corpo chocou-se contra o dele, e o ar escapou dos meus pulmões como se tivesse sido roubado à força. O toque dele queimava. Um fogo que eu não queria. Um fogo que, contra toda a lógica, percorria minha pele e me deixava sem defesa. Odiava isso. Odiava ainda mais o fato de que meu corpo não obedecia à minha mente. As mãos dele deslizaram para minha cintura, firmes, possessivas, como se ele já tivesse me moldado antes mesmo de me tocar. Me ergueu um pouco, fazendo-me sentir pequena, prisioneira, vulnerável. Eu queria gritar. Queria dizer "não". Mas quando sua boca desceu até meu pescoço, um arrepio traiçoeiro percorreu minha espinha, arrancando de mim um suspiro que não deveria existir. — Não... — a palavra saiu, mas foi fraca, quase uma prece sem fé. Ele encostou a testa na minha, os olhos claros queimando. — É tarde demais para não. — sussurrou, e sua respiração quente invadiu minha boca antes mesmo do beijo. O beijo foi bruto. Não tinha nada de carinho, nada de ternura. Era exigência. Era cobrança. E, ainda assim, meu corpo respondeu. Traiu-me. Senti minhas mãos, sem permissão, se fecharem contra o tecido do suéter dele. Puxei, não para aproximá-lo, mas porque minhas pernas tremiam, e eu precisava de algo para não desmoronar. O gosto dele se espalhou na minha boca, amargo como vinho forte, cortante como ferro. Cada movimento dos lábios dele era uma lembrança: "Você não tem escolha." E, mesmo assim, uma parte de mim queimava, pedindo por mais. Eu o desprezava. Sentia nojo de mim mesma. E ainda assim, quando ele me ergueu e me colocou sentada na mesa, senti minhas pernas o prenderem, o choque de nossas peles arrancou de mim um gemido sufocado. Ele se afastou por um instante, como se quisesse ver minha reação. Eu deveria cuspir na cara dele, levantar, ir embora. Mas fiquei. Presa. Tremendo. Respiração acelerada. E percebi: não era só medo. Era algo que eu não tinha palavras para explicar. Algo entre a repulsa e o desejo. Algo que me destruía enquanto acontecia. Quando os lábios dele voltaram aos meus, senti a verdade esmagadora: Ele já não estava apenas tomando meu corpo. Ele estava quebrando algo dentro de mim. E, contra toda a minha vontade, uma parte sombria... queria ser quebrada. O peso do corpo dele me prendia contra a mesa, esmagando meu ar, me reduzindo a nada além de posse. As mãos em minha cintura eram duras, implacáveis — não havia ternura, apenas domínio. Eu deveria empurrá-lo. Eu deveria para-lo. Mas não fiz nada. O ódio queimava em minhas veias, e ainda assim... outra chama ardia junto. Uma chama que eu desprezava ainda mais do que a ele: o desejo. Seus lábios deslizaram pelo meu pescoço, encontrando aquele ponto maldito que sempre foi minha ruína. Um choque percorreu minha pele, me arrancando um som baixo que tentei abafar. Não era prazer. Não era dor. Era a mistura venenosa dos dois, me confundindo, me traindo. — Você treme... — ele murmurou contra minha pele, a voz grave, carregada de certeza. — Mas não foge. Fechei os olhos com força, sufocada. — Isso não significa nada. Ele riu baixo, um riso perigoso, c***l. — Significa tudo. A alça do meu vestido deslizou sob os dedos dele, expondo minha pele antes mesmo do contato. Quando sua boca se fechou em meu ombro, ondas de calor explodiram por meu corpo. Odiava cada centímetro reagindo a ele, cada arrepio que denunciava minha fraqueza. Minhas pernas se apertaram contra a cintura dele, buscando apoio, sobrevivência — mas ele tomou o gesto como convite. Pressionou-se contra mim, duro, quente, e um gemido escapou da minha garganta, traiçoeiro, vergonhoso, verdadeiro. — Viu? — ele sussurrou, os olhos cravados nos meus, cruéis e famintos. — Seu corpo já é meu, Antonela. — Não... — tentei negar, mas a palavra morreu dentro do beijo que ele roubou em seguida, profundo, sufocante, quebrando minhas últimas defesas. Meus dedos se fecharam no tecido do suéter dele, sem saber se puxava para afastar ou para trazer mais perto. Quando sua mão deslizou pela minha coxa, subindo sem permissão, o ar me faltou. Ele me tocou fundo, sem aviso, e minha resposta foi imediata — um gemido abafado, o corpo em chamas. — Tão pronta pra mim... — ele rosnou, satisfeito. — Nunca... — sussurrei entre dentes. Ele sorriu de canto, um sorriso que doeu mais do que qualquer toque. Não me beijou. Não falou mais nada. Simplesmente se ajoelhou diante de mim, me abrindo com brutalidade, sem piedade e mergulhou o rosto entre minhas pernas. O choque foi devastador. Meu corpo arqueou sem controle, a mesa tremendo sob nós, e um gemido escapou antes que eu pudesse contê-lo. Ele me chupava como quem cobra, como quem cobra uma dívida vencida — a língua me castigando, os dentes arranhando, a respiração quente marcando território. E quando os dedos dele se juntaram à tortura, explorando, aprofundando, eu desmoronei. Gozei em sua boca com um grito estrangulado, envergonhada, furiosa, destruída. Ele se levantou com um sorriso vitorioso, lambendo os lábios como se tivesse provado um vinho raro. Segurou meu rosto e roubou minha boca em um beijo sujo, c***l. — Doce. Uma delícia. Eu o odiei naquele instante. Mas meu corpo queimava por mais. Quando ele finalmente tirou o seu m****o para fora, grosso, latejante, minha boca se abriu em espanto. Não houve preparação. Não houve aviso. Ele simplesmente deslisou a camisinha em seu m****o, e me tomou de uma vez, sem gentileza, sem piedade. Um predador. Eu, a presa. Cada estocada era força, era cobrança, era poder. E cada choque arrancava de mim sons que não reconhecia — gemidos sufocados, respirações quebradas, suspiros de entrega inevitável. Eu o odiava. Eu me odiava mais ainda. Mas não consegui parar. Meu corpo ardia em contradições. Minha alma gritava não. Meu corpo implorava sim. E quando o prazer explodiu em mim, dilacerando, inevitável, chorei. Chorei porque gozei. Chorei porque, naquele instante, ele arrancou a última parte de mim que ainda era só minha. Ele me segurou firme, o peito colado ao meu, respirando pesado. Eu não sabia se ele ria de vitória ou se também carregava um peso que nunca admitiria. Mas a verdade estava ali, nua, c***l, escrita em nossos corpos: Ele tinha vencido. E eu... estava quebrada. Minha dívida, enfim, estava paga. Mas a sensação era de que o preço ainda estava só começando.
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