Madeleine estava decidida a não ser tocada por homem algum. Nunca fantasiou com o primeiro beijo, muito menos com o primeiro toque. Quando fez uma inseminação artificial, teve certeza de que manteria o seu corpo a salvo das investidas masculinas. Apesar de não querer um marido, possuía instinto materno, ela sequer tinha uma irmã mais nova para cuidar e desejava ser mãe. Catarina era a sua vida e por ela faria qualquer coisa, até mesmo fingir um passado com Henry.
Conhecendo a Filha
Henry
Eu tinha esperança de que a expressão que vi no rosto de Madeleine fosse medo de ir para a cadeia, mas, no fundo, sabia que nenhuma mulher se arriscava duas vezes na minha cama, e o olhar de pânico dela não era tão diferente do olhar das mulheres quando acordavam ao meu lado.
Eu desejava ter ao menos uma chance com Madeleine. Me esforçaria para agradá-la, embora às vezes tentasse fazer isso com as mulheres, mas sempre falhava, definitivamente não sabia como lidar com elas. O fogo que ardia em mim não era comum, era o fogo de um homem possuído, o fogo que destruía.
Olhei para Madeleine, que me encarava trêmula, e não tive dúvida, o meu anjo estava em choque. Tive uma única chance e sequer me lembrava da sensação. Não me lembrava do quanto foi bom, ou até mesmo do quanto foi detestável para ela, mas de uma coisa eu tinha certeza, não a deixaria partir, pelo menos não até tê-la outra vez.
Eu não era um homem bom e essa era uma verdade que sabia sobre mim mesmo.
Catarina chorou novamente e o som miúdo chamou minha atenção de um jeito diferente.
Subi as escadas apressado, fiquei feliz ao ver que o meu quarto estava intocado, peguei uma bermuda e uma regata, vesti a roupa e fui até o quarto onde Catarina estava.
Quando entrei, Madeleine havia colocado um vestido azul simples e desbotado, ela ostentava um sorriso enorme em seus lábios enquanto balançava a bebê com cuidado.
Observei a cena por alguns minutos, parado na soleira da porta. Minha mente estava mais confusa do que quando cheguei em casa e tinha certeza de que Madeleine era uma golpista. Se Madeleine realmente fosse mãe da minha filha, isso mudaria tudo.
Olhei para Madeleine como quem pede autorização para se aproximar. A tensão de minutos atrás havia desaparecido dela, e ela fez um gesto sutil para que eu avançasse.
Eu nunca me senti tão vulnerável como no momento em que peguei Catarina em meus braços pela primeira vez. Concluí que isso devia ser amor. Por isso, esse sentimento nunca me interessou, eu detestava me sentir vulnerável.
A bebê possuía os olhos azuis da mãe, mas os cabelos eram pretos e faziam ondas como os meus. Meu coração afundou no peito quando enxerguei a mim mesmo em Catarina. Ela era linda e certamente era a minha filha.
Eu nunca havia desejado ser pai, e o pensamento me atormentou. Cometi muitas falhas no último ano, mas estava decidido a não permitir que isso voltasse a acontecer.
Sempre fui cuidadoso em relação ao sexo e, ainda assim, engravidei uma mulher. Olhando para a bebê que emitia sons de felicidade no meu colo, tive certeza de que, desse erro, eu não me arrependia.
Mas quando não chequei corretamente se o meu helicóptero estava em condições de voar, causando um acidente que matou o meu copiloto e quase me matou, isso sim me arruinou de inúmeras formas, no corpo e na mente.
Agora eu não poderia falhar, a ideia de que a minha filha pudesse sofrer de alguma forma me deixava transtornado.
Madeleine
Era um contraste enorme ver um homem como Henry sorrindo todo bobo para a criança em seu colo, mas isso não era suficiente para que eu confiasse nele. No fundo, eu sabia que nada seria suficiente, jamais confiaria em um homem.
Catarina voltou a dormir e eu a coloquei no berço. Havia feito um anexo em um dos quartos e agora o meu quarto tinha uma porta de correr que dava para o quarto infantil.
Quando saímos do quarto rosa, fechei a porta atrás de mim, isolando minha filha, respirei fundo, buscando coragem para encarar Henry.
— Me dê alguns dias e eu prometo que vou embora com a Catarina...
Para ir embora, eu precisaria solicitar uma pensão. Desprezava por completo a ideia de depender de um homem, queria ser independente, mas, no momento, era impossível. Era isso ou passar fome na rua. Eu poderia lidar com isso, mas não arrastaria minha filha para uma vida miserável.
— Catarina fica comigo! — Henry rosnou, e eu percebi com tristeza que a gentileza dele só podia ser direcionada à filha. Para mim, Henry tinha um olhar selvagem, carregado de ódio e outras emoções tão pesadas que eu não conseguia decifrar.
— Ela precisa da mãe — minha voz quase não saiu, agora que o medo havia retornado com força.
Henry deu um sorriso torto que fez meu sangue gelar.
— Fique aqui com Catarina... e comigo.
Era o que eu precisava, uma casa para ficar com a minha filha, mas algo no tom de voz de Henry me deixou alarmada.
— O que está dizendo? Não pode me obrigar a morar com você — ergui o queixo para encarar Henry. Eu podia ter medo dele, principalmente porque sabia que, se a verdade viesse à tona, eu perderia tudo, minha filha e minha liberdade. Contudo, o amor de mãe me deixava corajosa.
Henry enfiou as mãos no bolso da bermuda. Sua postura ereta e o olhar de aço deixavam claro que ele enxergava aquilo como uma de suas inúmeras transações.
— Quer mesmo levar esse caso para um juiz? Madeleine, sou um bilionário. A primeira coisa que fiz quando retornei dos mortos foi anular qualquer documento que lhe dê a posse dos meus bens. Mandei também que congelassem as suas contas e você está com uma restrição que lhe proíbe de comprar até mesmo um simples café com o meu dinheiro. Acha que tem alguma chance contra mim?
Eu não tinha uma personalidade tempestuosa, fui educada para ser submissa, mas meu coração se encheu de raiva. Henry era um homem desprezível, mas eu não podia brigar na justiça por Catarina. Não teria forças para isso e, se revirassem muito aquela história, eu seria descoberta.
— Tudo bem, eu fico — respondi, resignada.
Henry se aproximou e eu colei meu corpo na parede. Ele pegou uma mecha do meu cabelo, testando o fio entre os dedos. Tudo nele era predatório, desde o sorriso até o corpo volumoso que me pressionava contra a parede fria. Ele se inclinou, e sua voz saiu pesada, muito perto do meu ouvido:
— Mas tem uma condição... terá que t*****r comigo. Não vou viver debaixo do mesmo teto com uma mulher sem poder fodê-la!