Capítulo 4: Apenas Mais Uma

1104 Palavras
Madeleine — NÃO VOU ME DEITAR COM VOCÊ NUNCA! — eu não queria gritar, mas foi inevitável. Aquele homem tinha uma boca suja e estava tão perto de mim que eu podia sentir o cheiro masculino que exalava dele. Senti-me incomodada demais com a aproximação. Henry era grande, a pele cor de canela fazia parecer que ele vivia exposto ao sol, o dorso das duas mãos possuía tatuagens. Ele não se parecia com o típico empresário engravatado, estava mais para um homem rústico, mas eu não podia, de forma alguma, dizer que ele era feio. Eu o achava assustador e desprezível, mas ele possuía uma beleza selvagem que me deixava ainda mais irritada. Ele me encarou com desconfiança. — Madeleine, o acidente me deixou um pouco confuso, mas não sou um i****a. Do jeito que você falou é como se nunca tivéssemos ficado juntos. Não minta para mim, eu jamais te perdoaria. Se Catarina não for a minha filha, estou inclinado a não mandá-la para a cadeia, mas terá que pagar por ter me roubado... de outra forma. Henry apoiou a palma da mão na parede, criando uma barreira ao meu lado. Ele inclinou a cabeça e o seu olhar, apesar de ser carregado de fúria, possuía um brilho diferente. Eu desconfiei de qual tipo de pagamento Henry se referia, aquele homem era um imoral de todas as formas possíveis. — Catarina é sua filha! — rebati ríspida. Se eu imaginasse que fosse possível entrar em um acordo com aquele homem das cavernas, teria negado. Faria qualquer coisa para me livrar dele. Ele se afastou, e eu finalmente voltei a respirar normalmente. — Não acredito — ele continuou me observando com desconfiança. — Não me lembro de ter ido para a cama com você, e eu não me esqueceria de algo assim. Ele deu uma risada rouca, o som era assustador. Ele não se lembrava e nem se lembraria nunca, porque não aconteceu nada. Eu tremia da cabeça aos pés, não fazia ideia de como convencê-lo de que tivemos algo no passado. Num rompante de coragem, ergui o queixo para poder encará-lo. Eu era ridiculamente pequena diante dele, mesmo assim coloquei a mão na cintura, tentando parecer ofendida. — Com a coleção de mulheres com quem você sai, é óbvio que tenha se esquecido. Eu fui apenas mais uma em sua cama! Henry pareceu surpreso com a minha declaração, mas funcionou. Ele estava se encaminhando em direção à porta, quando voltou o olhar para mim, reparei que novamente ele fazia uma careta de dor, e me lembrei das cicatrizes em seu peito. — Eu conheço uma pomada boa para queimaduras, posso ir até a farmácia e comprar para você... Talvez uns analgésicos também te façam bem. Com uma passada larga, Henry me alcançou e agarrou o meu braço. Ele estava com tanta raiva que eu sequer conseguia processar o que fiz para que ele tivesse essa reação. Tive medo de ser agredida e me encolhi. — Sabia que era uma mentirosa! — ele rosnou próximo ao meu rosto. Meu coração disparou. Ele sabia a verdade. Henry Eu acreditava que, se Madeleine fosse a golpista que eu pensava que era, em algum momento ela tentaria fugir, mas não imaginei que isso fosse acontecer tão rápido. Uma lembrança antiga me atingiu e a raiva me dominou. Antes que eu pudesse considerar, agarrei o braço magricelo de Madeleine, a garota se encolheu com o meu toque agressivo, e o olhar de medo nela me fez recuperar a sanidade. — p***a! — xinguei, soltando-a de uma vez. — Não sou um bastardo que bate em mulheres, nem mesmo quando elas me roubam. Madeleine arregalou ainda mais os olhos, o corpo tremia descontroladamente e eu não compreendi. Eu me sentia como se não estivesse enxergando o cenário todo. Para uma mulher disposta a mentir por uma herança, ela não me pareceu tão corajosa. — Não vai fugir de mim, p***a! E amanhã mesmo vou pedir que um laboratório da minha confiança faça um novo exame de DNA! — Eu não... não ia fugir — ela gaguejou, mas logo sua voz tornou-se um pouco mais segura. — Me ofereci para ir até a farmácia porque notei que você estava com dor. Só queria te ajudar. Jamais fugiria sem a minha filha! Eu não deixei passar batido a informação de que Madeleine não descartava a ideia de fugir, mas por algum motivo fiquei feliz em ouvir que ela não abandonaria a filha. Esse, sim, era o pior crime que um pai ou uma mãe poderia cometer. TensioneI o maxilar. Não queria me lembrar do meu próprio passado, da minha história, mas era impossível quando a lembrança parecia sempre estar na borda dos meus pensamentos. Meus pais se mataram e me deixaram para trás. Fugiram, e eu tive que sobreviver aos cuidados de um tutor que não tinha nenhum sentimento de afeto por mim. As crianças precisam ser amadas para não se tornarem um adulto maldito como eu. — Essas coisas se pedem pela internet... — finalmente deixei as memórias para trás e retruquei. — É mais barato ir comprar pessoalmente — ela respondeu. Droga! Eu não confiava nela, mesmo assim ficava impressionado com as coisas que ela dizia. — Me dê os nomes dos remédios... Pensei que, se ela estivesse mentindo, iria se atrapalhar com o meu pedido, mas Madeleine foi até uma gaveta, pegou papel e caneta e fez as anotações. Eu sabia que não precisaria nem pesquisar para descobrir que realmente se tratava de uma pomada para queimaduras e alguns outros remédios para dor. Ou ela era ainda mais esperta do que imaginei, ou eu estava equivocado. Mesmo assim, só me daria por satisfeito após o exame de DNA. — Madeleine, pode ir tomar o seu banho... Ela me olhou confusa. — Não era isso que você ia fazer quando te encontrei nua? Ela ruborizou instantaneamente, e eu gostei de ver a pele pálida ganhar um tom rosado nas bochechas. Gostaria de vê-la ofegante, suada e com o rosto inteiro com aquela coloração. Senti meu m****o pulsar dentro da bermuda, não costumava ser tão descontrolado, mas Madeleine parecia trazer à tona o meu pior com muita facilidade. Como ela emudeceu diante da minha pergunta indiscreta, continuei: — Esta é uma construção antiga e tem alguns truques para fazer todas as tomadas funcionarem. Vou lá fora verificar e, dentro de uns dez minutos, poderá tomar o seu banho quente aqui mesmo. — Ah... certo — ela resmungou, ainda bastante corada. — E, Madeleine... nem pense em fugir, o portão está trancado! — Eu não poderia. Não tenho para onde ir!
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