Madeleine
Demorei a me dar conta de que havia falado demais. Sem querer, deixei exposta minha maior fraqueza. Eu não tinha para onde ir, ou seja, fugir não estava nos meus planos. Henry, por sua vez, não disse mais nada e se retirou do quarto. Dei graças aos céus, ficava muito nervosa perto dele, por isso acabava falando o que não devia.
Tentei me convencer de que o nervosismo era devido às mentiras que tive que contar, mas, lá no fundo, sabia que não era só isso. Nunca recebi muita atenção masculina, não de forma tão intensa. Eu notava os olhares dos homens em minha direção quando saía com meus pais e até mesmo na igreja.
Eu não frequentei a escola. Minha mãe era professora, havia se formado antes de conhecer meu pai, antes de ter cada passo da sua vida controlado por ele. Foi ela quem me ensinou em casa, minha mãe era carinhosa e bondosa, mas muito rígida como professora, eu estudava bastante para agradá-la, mas não era só por isso. Sonhava com o dia em que seria livre e poderia deixar o lar abusivo.
Agora, com Henry, podia ver que aquele homem me desejava e, quando ele se aproximava de mim, eu sentia a pele formigar e aquecer. Quando ele estava diante de mim, eu não sentia vontade de desviar o olhar, queria continuar observando cada detalhe dele.
Estava ficando louca! Desde que apareceu como uma assombração na minha frente, Henry foi desrespeitoso comigo, mas será que eu podia julgá-lo depois do que fiz? E, pior ainda, com o que pretendia fazer...
Henry nunca poderia descobrir que eu fiz uma inseminação artificial não autorizada, quando o resultado do novo exame que ele iria solicitar não deixasse dúvida quanto à sua paternidade, eu teria que agir como uma mulher que realmente teve um passado amoroso com ele.
Não iria me deitar com ele, jamais conseguiria ir tão longe, mas, se não o tratasse como um homem que um dia eu amei, ele certamente desconfiaria e poderia investigar.
Eu precisava convencê-lo de que tivemos uma linda história de amor e que dessa história nasceu Catarina. Seria bom para minha filha que fosse dessa forma, e eu não queria parecer ter sido apenas uma aventura qualquer na cama dele. Tinha o meu orgulho.
Henry não se lembrava de nada, então eu poderia contar a história que quisesse.
Peguei uma toalha e segui para o banheiro, tinha esperado bem mais de dez minutos. Fiquei feliz quando a água do chuveiro saiu em uma temperatura agradável.
Estava passando sabonete no corpo quando a porta foi aberta, através da fumaça, pude ver Henry entrar no banheiro. Ele tirou toda a roupa, ficando completamente nu, pensei em me virar de costas, mas lembrei que casais que têm i********e não se importam em ver o parceiro sem roupa. Concentrei minha atenção em me lavar, fingindo não me importar com a sua presença.
— O que está fazendo aqui? Não diga que esse é o seu banheiro, porque tem muitos banheiros nesta casa... — falei quando ele atravessou o box se aproximando.
— Apenas esse banheiro tem água quente e preciso de ajuda para lavar as costas.
Henry estava sério, embora seus olhos deslizassem pelo meu corpo.
Pensei em dar uma resposta à altura, mas ele se virou rapidamente, e o que vi me deixou sem ar. Se eu achava que os ferimentos no peito eram terríveis, não eram nada comparados ao estado das suas costas.
A pele retorcida parecia uma arte sombria em alto relevo, algumas partes pareciam ter cicatrizado, mas havia feridas quase em carne viva, por isso ele fazia careta de dor, aquilo estava horrível. Saí debaixo do chuveiro, dando espaço para ele.
— Henry, o que aconteceu com você? — tentei impedir, mas meus olhos se encheram de água.
— Sofri um acidente de helicóptero, deve ter visto as notícias — ele falou amargo.
— Mas, depois de tanto tempo, já era para estar cicatrizando. Parece que você foi queimado há uma semana ou menos... — funguei enquanto passava o sabonete com delicadeza sobre o local, sentindo-o enrijecer.
— Fizeram o melhor que podiam para me ajudar!
— Mas os remédios não são caros, isso que fizeram com você é desumano — insisti.
— Madeleine — Henry virou-se de uma vez e segurou meu rosto, úmido pelas lágrimas — nunca mais repita isso!
— Mas, Henry...
— p***a! O que eu devo fazer para você calar a boca?
Henry
Sem esperar por uma resposta, puxei o rosto de Madeleine para mim e suguei os lábios dela com ímpeto. Pressionei minha boca contra a dela com tanta força que sabia que, quando a soltasse, ela estaria com os lábios inchados. Eu não ligava, empurrei a língua buscando espaço, mas ela não deu.
— Me deixe entrar, p***a!
— Pare de xingar, por favor... — ela murmurou.
Aproveitei que ela entreabriu os lábios para falar e enfiei minha língua dentro da boca dela. Gostei de sentir o sabor dela misturado com o gosto salgado de suas lágrimas. Já estava deixando sua boca, mas antes mordi o lábio dela com força suficiente para fazê-lo sangrar. Ela gritou e eu a mantive firme, grudada ao meu corpo. Lambi o sangue que escorria e, quando me afastei o suficiente para olhar em seus olhos, percebi que tinha feito algo errado.
— Madeleine... — tentei pensar em algo decente para dizer, mas eu não era um homem que costumava pedir desculpas. Gostei de beijá-la e com certeza a beijaria outras vezes, mas vi que ela ficou chateada.
Eu deveria ter pedido que me desse um beijo. As mulheres não gostam que os homens façam coisas íntimas sem consultá-las antes, mesmo que estejam com vontade e nuas diante deles. Isso eu havia aprendido. Além do mais, eu não forçava mulher alguma.
— Quando não quiser que eu faça algo, precisa falar. Basta dizer que não quer, ou tentar me afastar, e eu paro! Precisa falar, Madeleine. Você sabe como eu sou, conhece o meu jeito de fazer as coisas. Eu vou tentar te convencer a me aceitar, vou tentar barganhar, mas você precisa ser firme. Só assim vai ficar bem...
Deixei que ela terminasse o banho sozinha. Eu estava com raiva e e******o demais. A pressão do corpo dela contra o meu me deixou louco. Fui para o meu quarto, sentei-me na beirada da cama e me toquei até atingir o orgasmo. Isso me acalmaria, pelo menos um pouco.
Sempre que eu saía com uma mulher, deixava claro que elas podiam me parar quando quisessem, mas raramente alguma dizia alguma coisa na hora do sexo. Depois, queixavam-se de mim ou, pior, olhavam para mim como se eu fosse um monstro. Isso me deixava furioso.
Eu não era um maldito que forçaria uma mulher a me receber na cama, então não entendia por que meus encontros sempre acabavam m*l.
Tomei outro banho, dessa vez no banheiro do meu próprio quarto. Eu havia comprado os remédios pela internet e o pedido já tinha sido entregue.
De frente para o espelho, espalhei um pouco da pomada nas cicatrizes do peito, tentava alcançar as costas quando Madeleine entrou no quarto.
Ela estava com um pijama de calça e camiseta, a roupa estava, no mínimo, dois tamanhos menores. A calça surrada m*l cobria seus tornozelos.
— Me deixe te ajudar com isso... — ela falou baixinho atrás de mim, e eu estendi a mão para lhe entregar a pomada.
Ela se posicionou atrás de mim, espalhando a pomada com cuidado. Seu toque era suave e delicado.
Eu estava com dor, mas nem mesmo isso era capaz de suprimir o desejo que sentia, não demoraria para ela notar meu p*u ereto.
Quando terminou com a pomada, eu me virei, a peguei pela cintura e a deitei sobre a cama, colocando-me em cima dela.
— Madeleine, me ajude a lembrar de você...