Capítulo 11

943 Palavras
Larissa Eu não consegui parar de pensar naquelas palavras. Nem durante o resto do almoço. Nem enquanto voltava para a livraria. Nem horas depois. Estou tentando ir devagar. Porque tudo em mim quer fazer exatamente o contrário. Que tipo de homem dizia uma coisa dessas? E pior... Que tipo de homem fazia meu coração disparar toda vez que abria a boca? — Você está sonhando acordada. Levantei a cabeça. Clara estava me observando novamente. Comecei a desconfiar que aquela mulher tinha um radar para minhas crises emocionais. — Não estou. — Está sim. — Não estou. — Está. Revirei os olhos. Ela sorriu. — É ele, não é? Meu rosto esquentou. O que foi resposta suficiente. — Meu Deus! — Fala baixo! — Você está apaixonada! — Não estou apaixonada. — Está quase. Bufei. Mas não respondi. Porque uma parte de mim começava a temer que ela estivesse certa. E isso era assustador. Muito assustador. Quando finalmente saí da livraria, já estava anoitecendo. O dia tinha sido longo. Mas estranhamente bom. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava feliz. Leve. E isso tinha nome. Dante Moretti. Meu celular vibrou. Sorri antes mesmo de olhar. Ridículo. Completamente ridículo. Dante: Como foi o resto do seu dia? Meu sorriso aumentou. Eu: Produtivo. Dante: Sentiu minha falta? Meu coração tropeçou. Idiota. Eu: Você é convencido. A resposta chegou segundos depois. Dante: Isso não foi um não. Mordi o lábio para esconder o sorriso. Porque ele tinha razão. E nós dois sabíamos disso. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Dante Eu estava ficando impaciente. O que era raro. Muito raro. Mas desde que Larissa entrou na minha vida, paciência parecia um conceito distante. Eu queria vê-la. Queria ouvir sua voz. Queria descobrir tudo sobre ela. Qual era seu livro favorito. Qual era sua comida favorita. Como era sua risada quando estava realmente feliz. Queria tudo. E queria agora. — Você está sorrindo sozinho. Levantei os olhos. Matteo estava parado na porta do meu escritório. Outra vez. — Você precisa de um hobby. — Eu tenho um hobby. — Qual? — Irritar você. Ele começou a rir. — Então definitivamente precisa de outro. Ignorei. Porque meu irmão era insuportável. Mas também porque ele estava certo. Eu estava sorrindo. E sabia exatamente o motivo. Larissa. Sempre Larissa. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Eu estava prestes a entrar no prédio quando meu celular vibrou novamente. Dante: Ainda acordada? Olhei para a mensagem. Depois para o relógio. E comecei a rir. Eu: São oito horas da noite. Dante: Então a resposta é sim. Balancei a cabeça. Homem impossível. Eu: O que você quer? A resposta demorou alguns segundos. Tempo suficiente para despertar minha curiosidade. Então ela chegou. Dante: Olhe para trás. Meu coração tropeçou. Uma vez. Duas. Três. Porque alguma coisa naquelas palavras fez meu estômago se apertar. Talvez fosse a forma como ele as escreveu. Talvez fosse a sensação estranha que surgiu dentro de mim. Ou talvez fosse porque eu já estava começando a conhecê-lo. E sabia que Dante nunca dizia algo sem motivo. Olhei para a tela novamente. Depois para a mensagem. Depois para a rua vazia à minha frente. Meu coração acelerou. Não. Ele não teria feito isso. Teria? Porque seria completamente absurdo. Completamente impulsivo. Completamente... Dante. E isso era exatamente o que me assustava. O fato de eu já conseguir prever algumas coisas sobre ele. O fato de eu já estar sorrindo antes mesmo de me virar. O fato de uma parte de mim torcer para que ele realmente estivesse ali. Respirei fundo. E lentamente me virei. Por um segundo, achei que estivesse imaginando coisas. Mas não. Ele estava ali. Do outro lado da rua. Encostado em um carro preto. Observando-me. Meu coração disparou tão forte que chegou a doer. — Meu Deus... Dante sorriu. Aquele sorriso lento. Perigoso. Que sempre bagunçava meus pensamentos. Atravessei a rua antes mesmo de perceber o que estava fazendo. Cada passo parecia mais rápido que o anterior. Como se meu coração tivesse assumido o controle. Como se minha cabeça tivesse desistido de argumentar. Porque a verdade era que eu deveria estar irritada. Deveria estar dizendo para ele voltar para casa. Deveria estar lembrando que pessoas normais não aparecem na porta do prédio dos outros porque sentiram saudades. Mas quando se tratava de Dante... Nada parecia normal. E talvez fosse justamente esse o problema. Porque eu estava começando a gostar disso. Gostando das mensagens inesperadas. Dos sorrisos. Da atenção. Da forma como ele me fazia sentir importante. Vista. Desejada. Especial. Coisas que eu tinha passado tanto tempo acreditando que nunca mereceria. Meu coração apertou. Porque aquilo era perigoso. Mas também era maravilhoso. E eu já não sabia qual das duas sensações era mais forte. Quando finalmente parei diante dele... Meu coração estava completamente fora de controle. — Você ficou maluco? Ele arqueou uma sobrancelha. — Talvez. — Dante! — Eu queria ver você. A simplicidade da resposta me desarmou imediatamente. Como sempre. Porque ele nunca parecia ter vergonha de dizer o que sentia. Nunca tentava esconder. Nunca fingia. — Nós nos vimos hoje. — Eu sei. — Faz algumas horas. — Eu sei. — Então por que está aqui? Os olhos dele encontraram os meus. E alguma coisa dentro de mim derreteu. Porque aquele olhar... Era sincero. Completamente sincero. — Porque algumas horas pareceram tempo demais. Minha respiração falhou. Outra vez. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir. E talvez conseguisse. Porque o sorriso dele suavizou. Como se soubesse exatamente o efeito que tinha sobre mim. E naquele instante... Pela primeira vez... Eu tive certeza de uma coisa. Estava me apaixonando. E não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer para impedir.
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