Capítulo 10

828 Palavras
Dante Eu deveria estar trabalhando. Na minha frente havia um contrato de milhões de dólares. Ao lado, uma pilha de documentos esperando minha assinatura. E do outro lado da mesa, três executivos aguardavam uma resposta. Mas eu não fazia ideia do que eles tinham acabado de dizer. Porque estava pensando nela. Outra vez. — Senhor Moretti? Pisguei. Voltando à realidade. — Repita. Os três trocaram olhares. Ótimo. Agora até meus funcionários estavam percebendo. — Estávamos falando da aquisição da empresa de tecnologia. Assenti. Como se tivesse prestado atenção. Não tinha prestado. Minha mente estava em outro lugar. Mais especificamente... Em uma livraria. Com uma mulher de sorriso fácil e olhos castanhos que estavam se tornando perigosamente importantes para mim. — Podemos continuar amanhã — anunciei. Os executivos pareceram confusos. — Amanhã? — Sim. — Mas... — Amanhã. Todos ficaram em silêncio. Porque ninguém discutia comigo. Normalmente eu gostava disso. Hoje apenas me pareceu conveniente. Quando a sala ficou vazia, afrouxei a gravata e me recostei na cadeira. Era ridículo. Completamente ridículo. Eu tinha construído um império. Tomado decisões capazes de mudar a vida de milhares de pessoas. Mas uma mulher trabalhando em uma livraria estava conseguindo me deixar incapaz de me concentrar. Uma batida na porta interrompeu meus pensamentos. — Entre. Matteo apareceu. Com aquele sorriso irritante. O sorriso que significava problema. — Você dispensou uma reunião importante. — E? — Você nunca dispensa reuniões importantes. Ignorei. — O que você quer? — Ver de perto sua crise existencial. Revirei os olhos. — Vá trabalhar. — Você está apaixonado. — Não estou. — Está sim. — Não estou. — Está. Bufei. Porque aquela conversa estava ficando repetitiva. — Ela é diferente. As palavras escaparam antes que eu pudesse impedir. Matteo ficou em silêncio. O sorriso desapareceu. — Então é sério. Olhei para a janela. Para a cidade. Para qualquer coisa que não fosse meu irmão. Porque a verdade era simples. Era sério. Mais sério do que eu queria admitir. — Nunca conheci alguém como ela. A voz saiu mais baixa. Mais sincera. — Então pare de ficar sentado aí. Franzi a testa. — O quê? — Vai vê-la. Sorri. Porque aquela era provavelmente a melhor ideia que ele teve em toda a vida. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Larissa Eu estava organizando livros. Pelo menos era o que deveria estar fazendo. Na prática, estava relendo a mesma página de um romance há quase cinco minutos. Sem entender uma única palavra. Porque meu cérebro tinha decidido pensar em Dante Moretti. De novo. — Você está sorrindo. Levantei os olhos. Clara me observava. Outra vez. — Vocês precisam parar com isso. — Com o quê? — Com perceber quando estou sorrindo. Ela começou a rir. — É impossível não perceber. Bufei. Mas não consegui argumentar. Porque ela estava certa. Eu realmente estava sorrindo. E isso acontecia sempre que lembrava dele. Do jantar. Das mensagens. Da forma como segurou minha mão. Meu coração acelerou. Droga. Aquilo estava ficando sério. Muito sério. A porta da livraria se abriu. E imediatamente senti aquele friozinho estranho no estômago. Aquela sensação que estava começando a reconhecer. Levantei os olhos. E encontrei Dante. Meu coração simplesmente desistiu de funcionar. De novo. Ele caminhou em minha direção. Seguro. Confiante. Como sempre. Mas havia algo diferente naquele dia. Algo mais suave. Mais sincero. Como se não estivesse ali para impressionar ninguém. Apenas para me ver. — Olá, Larissa. Meu estômago deu cambalhotas. — Você não trabalha? O sorriso dele aumentou. — Trabalho. — Então por que está aqui? — Porque queria ver você. Meu coração tropeçou. Outra vez. — Essa resposta está ficando repetitiva. — Porque continua sendo verdade. Droga. Muito perigoso. Muito, muito perigoso. Dante se aproximou mais. O suficiente para que eu sentisse seu perfume. O suficiente para que minha respiração ficasse irregular. — Almoce comigo. — Isso parece uma ordem. — Estou melhorando. Acabei rindo. E os olhos dele acompanharam cada segundo. Como se minha risada fosse a coisa mais bonita do mundo. Aquilo deveria me assustar. Mas não assustava. Pelo contrário. Me fazia querer sorrir mais. Uma hora depois, estávamos caminhando por uma praça próxima ao restaurante. Conversando. Rindo. Simplesmente aproveitando a companhia um do outro. E talvez fosse justamente isso que me deixava tão confusa. Com Dante tudo parecia fácil. Natural. Como se nos conhecêssemos há muito mais tempo. — Larissa. Olhei para ele. — O quê? Dante parou de andar. Os olhos encontraram os meus. E meu coração acelerou imediatamente. Porque aquele olhar era diferente. Mais intenso. Mais sério. Mais honesto. — Estou tentando ir devagar. Minha respiração falhou. — E por que está me dizendo isso? Um sorriso pequeno apareceu. Mas não alcançou os olhos. Porque ele estava falando sério. Muito sério. — Porque tudo em mim quer fazer exatamente o contrário. Meu coração parou. Por um segundo. Talvez dois. E naquele instante... Pela primeira vez desde o beijo roubado... Eu percebi que não era a única correndo perigo. Dante Moretti estava se apaixonando também.
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