Capítulo 9

745 Palavras
Dante Eu não fui embora imediatamente. Mesmo depois que Larissa entrou no prédio. Mesmo depois que a porta se fechou atrás dela. Mesmo depois que meu bom senso me disse para ligar o carro e seguir para casa. Continuei parado. Observando a entrada. Como um completo i****a. Algo que eu não era. Eu não perdia tempo. Não hesitava. Não ficava parado pensando em mulheres. Mas ali estava eu. Fazendo exatamente isso. Suspirei e finalmente liguei o carro. Mas durante todo o caminho até a cobertura, a imagem dela continuou na minha cabeça. O sorriso. A risada. A maneira como seus olhos brilhavam quando falava sobre livros. Era diferente. Ela era diferente. Quando cheguei em casa, tirei o paletó e afrouxei a gravata. Mas nem isso ajudou. Porque Larissa continuava ali. Em cada pensamento. Em cada lembrança. Em cada segundo. Meu celular vibrou. Matteo. Ignorei. Ele ligou. Ignorei novamente. No terceiro toque, atendi. — O quê? — Nossa. Que humor é esse? — Estou ocupado. — Pensando na garota da livraria? Fechei os olhos. — Matteo. Ele começou a rir. — Então eu acertei. Idiota. Meu irmão me conhecia bem demais. — Você está diferente. — Não estou. — Está sim. Caminhei até a janela da cobertura. Observando as luzes da cidade. — Ela é diferente. O silêncio do outro lado da linha durou alguns segundos. — Uau. Franzi a testa. — O quê? — Acho que essa é a primeira vez que escuto você admitir isso. Talvez fosse. Porque eu nunca tinha conhecido alguém como Larissa. Ela não tentava me impressionar. Não se importava com dinheiro. Não sorria para mim porque eu era rico. Na verdade, passava metade do tempo me chamando de arrogante. E eu gostava disso. Gostava mais do que deveria. — Você está sorrindo? — Não. — Está sim. Desliguei na cara dele. Porque não precisava ouvir mais provocações. Mas a verdade era que Matteo tinha razão. Eu estava sorrindo. E aquilo era perigoso. Porque eu estava começando a me importar. Muito. Larissa Eu deveria estar dormindo. Mas estava deitada na cama. Olhando para o teto. Pensando nele. De novo. O jantar tinha terminado horas atrás. E mesmo assim eu continuava lembrando de cada detalhe. Da conversa. Das risadas. Da forma como Dante me observava. Como se eu fosse importante. Como se realmente gostasse de me ouvir. Meu coração apertou. Porque fazia muito tempo que ninguém me fazia sentir daquele jeito. Meu celular vibrou. Sorri antes mesmo de olhar. E isso era preocupante. Muito preocupante. Dante: Chegou bem? Meu sorriso aumentou. Eu: Sim. A resposta veio quase imediatamente. Dante: Ótimo. Fiquei olhando para a tela. Esperando. Odiando perceber que estava esperando. Outra mensagem apareceu. Dante: Já está dormindo? Eu: Não. Dante: Eu também não. Meu coração acelerou. Era ridículo. Completamente ridículo. Mas bastava uma mensagem dele para meu dia melhorar. E isso me assustava. Porque eu já tinha gostado de alguém antes. Já tinha confiado antes. E sabia exatamente como aquilo podia terminar. Meu ex tinha garantido isso. Fechei os olhos. Tentando afastar aquelas lembranças. As comparações. As críticas. As pequenas crueldades. Mas, pela primeira vez em muito tempo, elas pareciam mais distantes. Porque Dante fazia algo estranho. Ele me fazia esquecer. Esquecer tudo aquilo que eu costumava enxergar quando me olhava no espelho. Meu celular vibrou novamente. Dante: Está pensando demais. Abri um sorriso. Eu: Como sabe? Dante: Porque você sempre pensa demais. Meu coração tropeçou. Porque ele estava começando a me conhecer. E isso era assustador. Mas também era bom. Muito bom. Na manhã seguinte acordei sorrindo. E isso era um péssimo sinal. Porque fazia anos que eu não acordava daquele jeito. Leve. Feliz. Esperançosa. Júlia percebeu imediatamente. Claro que percebeu. — Você está apaixonada. Quase derrubei minha xícara de café. — Não estou. — Está sim. — Não estou. — Está. Revirei os olhos. — Você é insuportável. — E você está apaixonada. Bufei. Mas não consegui responder. Porque uma parte de mim estava começando a desconfiar que ela tinha razão. E isso era assustador. Muito assustador. Porque Dante Moretti estava se tornando importante. Importante demais. Meu celular vibrou novamente. Sorri. Antes mesmo de olhar. Antes mesmo de ler. Antes mesmo de pensar. E foi naquele momento que percebi o tamanho do problema. Porque eu já estava esperando por ele. Esperando pelas mensagens. Pelos sorrisos. Pela presença dele. Esperando por Dante. E talvez fosse exatamente assim que as pessoas se apaixonavam. Devagar. Sem perceber. Até que fosse tarde demais.
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