Capítulo 8

929 Palavras
Larissa Eu deveria estar preocupada. Na verdade, eu deveria estar desesperadamente preocupada. Porque, pela primeira vez desde que conheci Dante Moretti, eu não estava pensando em fugir. E isso era um problema. Um problema enorme. Saímos do restaurante lado a lado. A noite estava agradável. O vento suave bagunçava alguns fios do meu cabelo enquanto caminhávamos pela calçada iluminada. Por alguns segundos, nenhum de nós falou nada. E, estranhamente, o silêncio não era desconfortável. Era bom. Calmo. Como se não precisássemos preencher cada segundo com palavras. Como se apenas estarmos juntos fosse suficiente. A ideia fez meu coração acelerar. Droga. Isso estava ficando perigoso. Muito perigoso. — Você está pensando demais. Olhei para Dante. — Como sabe? — Porque você faz aquela cara. — Que cara? — Aquela que parece estar discutindo consigo mesma. Soltei uma risada. — Talvez eu esteja. Um sorriso apareceu no rosto dele. E eu odiei o quanto gostava de vê-lo sorrir. — E quem está ganhando a discussão? — Ainda não decidi. — Espero que seja a parte inteligente. — E qual delas seria? — A que gosta de mim. Revirei os olhos. — Convencido. — Realista. — Arrogante. — Bonito. Minha boca caiu aberta. Dante começou a rir. E, para meu completo desgosto, eu também. --- O carro dele estava estacionado próximo ao restaurante. Luxuoso. Impecável. Provavelmente valia mais do que meu apartamento. — Você sempre dirige carros tão discretos? Perguntei ironicamente. — Tento passar despercebido. Comecei a rir. — Claro. — Está funcionando? — Nem um pouco. Ele abriu a porta para mim. Outro gesto simples. Outro detalhe que eu não deveria notar. Mas notei. Porque ninguém fazia aquilo. Ninguém prestava atenção naqueles pequenos detalhes. Dante parecia prestar atenção em tudo. Inclusive em mim. Durante o trajeto, conversamos sobre coisas simples. Livros. Filmes. Músicas. Coisas normais. E aquilo foi provavelmente o que mais me surpreendeu. Eu esperava um homem distante. Frio. Inacessível. Mas, longe das provocações, Dante era divertido. Inteligente. E incrivelmente fácil de conversar. Quando percebi, já estávamos estacionando em frente ao meu prédio. E uma sensação estranha surgiu dentro de mim. Porque eu não queria que a noite acabasse. Meu Deus. Eu realmente tinha um problema. — Chegamos. Assenti. Mas não me movi. Nem ele. Por alguns segundos, ficamos apenas sentados. O silêncio preenchendo o carro. E, pela primeira vez naquela noite, senti nervosismo. Porque alguma coisa tinha mudado. Eu conseguia sentir. No jeito que ele me olhava. Na forma como seus olhos permaneciam presos aos meus. Na intensidade que existia ali. Meu coração começou a bater mais rápido. — Obrigada pelo jantar. A voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Eu deveria agradecer. Franzi a testa. — Por quê? O sorriso dele desapareceu. E aquilo tornou tudo ainda mais sério. — Porque você veio. Meu coração apertou. Porque ele parecia sincero. Completamente sincero. — Dante... — O quê? — Você sempre fala coisas que me deixam sem resposta? — Apenas quando estou sendo honesto. Minha respiração falhou. Outra vez. Eu precisava parar de reagir daquele jeito. Urgentemente. Mas era difícil. Especialmente quando ele me observava como se eu fosse importante. Como se realmente gostasse de estar comigo. Como se não estivesse apenas brincando. Meu olhar caiu para suas mãos apoiadas no volante. Fortes. Grandes. Bonitas. E imediatamente desviei. Porque definitivamente não deveria estar pensando nisso. — O que foi? Perguntou. — Nada. — Mentira. — Você fala isso toda hora. — Porque você mente toda hora. Bufei. Dante sorriu. E então ficou sério novamente. Lentamente. Como se estivesse tomando uma decisão. Meu coração acelerou. Porque eu conhecia aquele olhar. Era o mesmo olhar que ele tinha me lançado antes do beijo. O mesmo. Exatamente o mesmo. — Larissa. Engoli em seco. — Sim? Ele demorou alguns segundos para responder. Como se estivesse me dando uma chance de fugir. Uma chance de interromper aquele momento. Mas eu não fiz nenhuma das duas coisas. Continuei ali. Observando. Esperando. — Posso segurar sua mão? Pisquei. Uma vez. Duas. Três. Não era o que eu esperava. Definitivamente não. E talvez por isso meu coração tenha se derretido um pouco. Porque Dante poderia ter sido arrogante. Poderia ter presumido. Poderia simplesmente ter feito. Mas perguntou. Esperou. Respeitou. E aquilo significava mais do que ele imaginava. Muito mais. Devagar, estendi a mão. Os dedos dele encontraram os meus. Quentes. Firmes. Gentis. Um arrepio percorreu meu corpo. E, pela primeira vez em muito tempo... Não senti vergonha. Não senti insegurança. Não senti necessidade de me esconder. Apenas fiquei ali. Segurando sua mão. E gostando disso. Muito. Os olhos dele encontraram os meus novamente. E meu coração perdeu completamente o controle. Porque havia tanta coisa naquele olhar. Admiração. Desejo. Carinho. Algo que eu ainda não conseguia definir. Mas que me fazia querer ficar. Mais alguns minutos. Mais alguns segundos. Mais um pouco. — Você deveria subir. A voz dele saiu baixa. Suave. Assenti. Mas nenhum de nós se moveu. — Deveria. — Sim. Continuamos nos encarando. E então começamos a rir ao mesmo tempo. A tensão desapareceu. Pelo menos por um instante. — Boa noite, Dante. — Boa noite, Larissa. Abri a porta. Saí do carro. E caminhei até a entrada do prédio. Mas antes de entrar... Olhei para trás. E o encontrei observando. Ainda. Como se não conseguisse ir embora. Como se também não quisesse que aquela noite terminasse. Meu coração acelerou. Mais uma vez. E enquanto subia para meu apartamento... Uma única certeza ocupava meus pensamentos. Eu estava em perigo. Porque estava começando a gostar de Dante Moretti muito mais do que deveria.
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