Larissa
Assim que atravessei as portas do restaurante, tive vontade de fugir.
Não porque o lugar fosse feio.
Muito pelo contrário.
Era lindo.
Luzes suaves iluminavam o ambiente.
Música baixa tocava ao fundo.
As mesas estavam impecavelmente organizadas.
E as pessoas pareciam ter saído diretamente de uma revista de luxo.
Eu me sentia completamente deslocada.
Como uma intrusa.
Como alguém que não pertencia àquele mundo.
— Está pensando em fugir?
A voz divertida de Dante surgiu ao meu lado.
Levantei os olhos.
E encontrei aquele sorriso irritante.
O sorriso que estava começando a afetar meu coração mais do que deveria.
— Talvez.
— Não vou deixar.
Revirei os olhos.
— Você tem uma resposta para tudo?
— Quase tudo.
Ele puxou a cadeira para mim.
Um gesto simples.
Mas que me fez sorrir.
Porque ninguém fazia aquilo por mim.
Não mais.
Talvez nunca tivesse feito de verdade.
Quando me sentei, Dante ocupou a cadeira à minha frente.
Os olhos escuros imediatamente encontraram os meus.
Como sempre.
Como se ele não conseguisse parar de olhar.
E aquilo era assustador.
Porque eu também estava começando a ter dificuldade para desviar.
Nos primeiros minutos a conversa foi estranhamente fácil.
Mais fácil do que deveria.
Mais fácil do que eu esperava.
Talvez porque Dante não tentasse impressionar.
Ou porque, apesar de toda a confiança exagerada, ele parecia genuinamente interessado no que eu dizia.
Algo raro.
Muito raro.
— Então você sempre quis trabalhar com livros? — ele perguntou.
Sorri.
— Sempre.
— Por quê?
Olhei ao redor por um instante.
Pensando.
— Porque os livros sempre foram um lugar seguro.
O olhar dele ficou atento.
Como se aquela resposta fosse importante.
— Seguro?
Assenti.
— Quando eu era criança, eu passava horas lendo.
Era o lugar onde tudo parecia possível.
Onde as pessoas encontravam amor.
Onde os finais felizes existiam.
Um sorriso surgiu no rosto dele.
— Então você é uma romântica.
— Talvez.
— Definitivamente.
Ri.
— E você?
— O que tem eu?
— Você acredita em amor?
Pela primeira vez desde que nos conhecemos...
Dante ficou em silêncio.
Um silêncio verdadeiro.
Como se estivesse pensando na resposta.
— Não acreditava.
Meu coração acelerou.
— Não?
Ele balançou a cabeça.
— Sempre achei que fosse algo que acontecia com outras pessoas.
Franzi a testa.
— Isso é triste.
— Talvez.
— E agora?
Os olhos dele encontraram os meus novamente.
E alguma coisa mudou.
A intensidade.
A forma como me observava.
A maneira como parecia enxergar além da superfície.
— Agora não tenho tanta certeza.
Minha respiração falhou.
Porque eu sabia exatamente o que ele queria dizer.
E aquilo me deixou nervosa.
O jantar chegou.
Mas eu m*l prestei atenção na comida.
O problema era Dante.
Sempre Dante.
O jeito como sorria.
Como me observava.
Como parecia absorver cada palavra que saía da minha boca.
Era impossível não perceber.
— O que foi?
Pisquei.
— Nada.
— Mentira.
— Você fala isso toda hora.
— Porque você mente toda hora.
— Eu não minto.
— Acabou de mentir.
Bufei.
Ele começou a rir.
E, pela primeira vez, percebi que gostava da risada dele.
Gostava muito.
Era quente.
Sincera.
Bonita.
Assim como ele.
Droga.
Eu estava em perigo.
Em determinado momento, um casal passou pela nossa mesa.
A mulher era linda.
Alta.
Elegante.
Magra.
O tipo de mulher que costumava chamar atenção imediatamente.
Sem querer, acompanhei seu movimento.
E odiei a sensação que surgiu.
A comparação.
A velha comparação.
Porque ela era exatamente o tipo de mulher que homens como Dante costumavam escolher.
Meu humor caiu instantaneamente.
— O que aconteceu?
Levantei os olhos.
— Nada.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Larissa.
Suspirei.
— Nada.
— Eu sei quando você está escondendo alguma coisa.
— Você me conhece há uma semana.
— E mesmo assim eu sei.
Desviei o olhar.
Porque eu não queria admitir.
Não queria parecer insegura.
Mas Dante continuou observando.
Esperando.
Até que finalmente cedi.
— Ela era bonita.
— Quem?
— A mulher que passou.
Ele virou a cabeça.
Olhou.
Depois voltou a me encarar.
— E?
Franzi a testa.
— E?
— Sim.
— Ela era linda.
Dante ficou em silêncio por alguns segundos.
Como se estivesse tentando entender meu raciocínio.
Então balançou a cabeça.
— Você realmente não percebe, não é?
Meu coração acelerou.
— Não percebo o quê?
Ele se inclinou levemente para frente.
Os olhos presos aos meus.
— Que eu não consigo tirar os olhos de você.
A respiração ficou presa em meus pulmões.
— Dante...
— Estou falando sério.
Meu coração batia tão forte que chegava a doer.
— Você continua se comparando com outras mulheres.
Mas eu não estou olhando para elas.
Estou olhando para você.
Meu estômago deu um salto.
Porque não havia brincadeira na voz dele.
Nem provocação.
Nem arrogância.
Apenas sinceridade.
E talvez aquilo fosse ainda mais perigoso.
Quando saímos do restaurante, já era tarde.
A cidade parecia mais calma.
Mais silenciosa.
Por alguns minutos caminhamos lado a lado.
Sem falar nada.
E estranhamente não parecia estranho.
Parecia confortável.
Natural.
Como se estivéssemos fazendo aquilo há muito tempo.
— Larissa.
Levantei os olhos.
— O quê?
Dante parou de andar.
E quando me virei para ele...
Encontrei aquele mesmo olhar.
Intenso.
Profundo.
Mas agora havia algo mais.
Algo que fez meu coração acelerar.
Carinho.
Admiração.
— Estou feliz por você ter vindo.
As palavras eram simples.
Mas me atingiram em cheio.
Porque pareciam sinceras.
Completamente sinceras.
Sorri.
Devagar.
Sem conseguir evitar.
— Eu também.
O sorriso que surgiu no rosto dele foi tão bonito que, por um segundo, perdi o fôlego.
E pela primeira vez desde aquele beijo roubado...
Eu percebi que talvez estivesse começando a me apaixonar.