Capítulo 6

816 Palavras
Larissa Eu tinha um problema. Um problema muito sério. Porque Dante Moretti estava me olhando. De novo. E toda vez que ele fazia isso, parecia impossível lembrar qualquer pensamento coerente. — Porque nenhuma delas era você. As palavras dele continuavam ecoando na minha cabeça. Mesmo depois de vários segundos. Mesmo depois de eu ter tentado desesperadamente encontrar uma resposta inteligente. Ou pelo menos uma resposta que não me fizesse parecer uma adolescente apaixonada. — Você sempre fala essas coisas? A pergunta escapou antes que eu pudesse impedir. Dante apoiou um braço na mesa. Os olhos escuros permaneceram presos aos meus. — Que coisas? — Essas frases. — Quais frases? Revirei os olhos. — Você sabe exatamente quais frases. Um sorriso surgiu em seus lábios. — Não. Mas gosto quando você fica nervosa. Meu rosto esquentou imediatamente. — Eu não estou nervosa. — Está sim. — Não estou. — Está. — Você é irritante. — E você é bonita. Meu cérebro simplesmente desistiu de funcionar. Outra vez. Droga. Como alguém conseguia ser tão impossível? E pior... Como alguém conseguia fazer meu coração acelerar daquele jeito? Dante observou minha reação por alguns segundos. Como se estivesse gostando do efeito que causava. O que provavelmente era verdade. — Jante comigo. Pisquei. Uma vez. Duas. Três. — O quê? — Jante comigo. — Isso não foi um pedido. — Foi sim. — Não foi. — Então considere um convite. Cruzei os braços. — E se eu disser não? — Você vai? Abri a boca. Fechei. Porque eu não sabia. E aquilo era um problema. Um problema enorme. Porque normalmente eu saberia. Normalmente eu recusaria. Normalmente eu manteria distância de homens que pareciam capazes de destruir meu juízo com um simples olhar. Mas Dante não parecia normal. Nada nele parecia normal. — Larissa? — O quê? — Você está pensando demais. — E você pensa de menos. Ele sorriu. — Então isso é um sim? — Não. — Parece um sim. — Não parece. — Parece para mim. Bufei. — Você sempre consegue o que quer? O olhar dele ficou mais intenso. Mais sério. Mais perigoso. — Quase sempre. Meu coração deu um salto. Porque, pela primeira vez desde que o conheci, eu tive a sensação de que aquela resposta não era apenas uma brincadeira. Era um aviso. --- Naquela noite. Eu estava parada diante do espelho pela décima vez. Talvez vigésima. Definitivamente mais do que deveria. — Você está linda. Virei a cabeça. Júlia estava encostada na porta do meu quarto. Observando tudo. — Estou nervosa. — Eu percebi. — E se ele achar que eu sou sem graça? Minha amiga quase engasgou. — Larissa. — O quê? — Aquele homem atravessou a cidade para te ver. Mandou flores. Descobriu onde você trabalha. Olha para você como se fosse a última mulher da Terra. Acho que estamos além da fase "será que ele gosta de mim". Suspirei. Porque ela tinha razão. Mas era difícil desligar anos de insegurança. Anos ouvindo comentários sobre meu corpo. Anos me comparando com outras mulheres. Anos acreditando que nunca seria a primeira escolha de ninguém. E então apareceu Dante. E de alguma forma ele olhava para mim como se eu fosse exatamente aquilo que procurava. Ainda era difícil acreditar. Meu celular vibrou. Uma mensagem. Dante: Estou esperando. Meu coração acelerou. Eu: Você chegou cedo. Dante: Você vale a espera. Fechei os olhos. Idiota. Perfeito. Perigosamente perfeito. --- Quando cheguei ao restaurante... Meu coração quase saiu pela boca. O lugar era lindo. Elegante. Luxuoso. Muito mais sofisticado do que qualquer lugar que eu costumava frequentar. E então eu o vi. Dante estava perto da entrada. Usando um terno escuro. Os cabelos levemente desalinhados. As mãos nos bolsos. E os olhos imediatamente encontraram os meus. Como se ele estivesse esperando apenas por aquele momento. Por mim. O sorriso que surgiu em seus lábios fez meu estômago dar cambalhotas. Ele caminhou na minha direção. Devagar. Sem desviar os olhos. Sem pressa. Como um homem que tinha absoluta certeza de si mesmo. Quando parou diante de mim, senti meu coração acelerar ainda mais. — Você veio. Revirei os olhos. — Você me convidou. — E você aceitou. — Ainda estou tentando entender por quê. O olhar dele percorreu meu rosto. Meu cabelo. Meus ombros. Lentamente. Sem pressa. Como se estivesse me admirando. — Eu sei exatamente por quê. Minha respiração falhou. — Convencido. — Observador. Idiota. Completamente i****a. Mas pela primeira vez em muito tempo... Eu estava sorrindo. Sorrindo de verdade. Dante ofereceu o braço. — Vamos? Olhei para ele. Para o sorriso. Para aqueles olhos que pareciam enxergar muito mais do que eu gostaria. E, pela primeira vez desde o beijo roubado... Tive a sensação de que minha vida estava prestes a mudar para sempre. Talvez eu devesse ter fugido. Talvez. Mas quando coloquei minha mão sobre o braço dele... Percebi que já era tarde demais para isso.
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