Capítulo 5

799 Palavras
Larissa Dante Moretti era um problema. Um problema alto. Bonito. Arrogante. E completamente impossível. Fazia dois dias desde sua aparição inesperada na livraria. Dois dias desde que ele tinha praticamente expulsado um cliente apenas por conversar comigo. Dois dias desde que eu tinha prometido a mim mesma que não pensaria mais nele. E estava falhando miseravelmente. — Você está pensando nele de novo. Levantei os olhos da caixa de livros que acabara de chegar. Júlia me observava com um sorriso satisfeito. — Eu odeio você. — Não, você me ama. — Infelizmente. Ela gargalhou. — Então admite. — Admito o quê? — Que está apaixonada. Quase engasguei. — Eu o conheço há três dias! — E? — E pessoas normais não se apaixonam em três dias. — Estamos falando do homem que te chamou de futura esposa cinco minutos depois de te conhecer. Ponto para ela. Bufei e voltei a organizar os livros. Mas a verdade era que minha amiga tinha razão sobre uma coisa. Eu estava pensando nele. Mais do que deveria. Muito mais. Porque, por mais irritante que fosse admitir, fazia anos que nenhum homem me fazia sentir daquele jeito. Vista. Desejada. Importante. Meu celular vibrou. Olhei a tela. Número desconhecido. Meu coração tropeçou. Porque eu já sabia quem era. Dante. Eu não deveria sorrir. Mas sorri. Dante: Bom dia, Larissa. Rolei os olhos. Eu: Como conseguiu meu número? A resposta chegou quase instantaneamente. Dante: Você sempre começa nossas conversas com perguntas difíceis? Idiota. Eu: Estou falando sério. Dante: Eu também. Balancei a cabeça. Homem impossível. Completamente impossível. Antes que eu pudesse responder, Clara surgiu correndo na minha direção. — Larissa! — O quê? — Tem uma entrega para você. Franzi a testa. — Para mim? — Sim. Estranho. Muito estranho. Caminhei até o balcão. E parei abruptamente. Porque havia flores. Muitas flores. Um enorme arranjo de rosas vermelhas ocupava praticamente metade do balcão. Meu coração disparou. — Meu Deus. — Quem enviou? — Clara perguntou. Peguei o pequeno cartão preso ao buquê. E imediatamente reconheci a caligrafia elegante. Para a mulher que roubou meu primeiro pensamento do dia. — Dante Fechei os olhos. — Não acredito nisso. — Quem é Dante? — Clara perguntou. — Problema. — Pela quantidade de flores, parece um problema rico. — Muito rico. — Eu gosto dele. — Você nem conhece ele. — As flores são bonitas. — Você é impossível. Clara apenas sorriu. Meu celular vibrou novamente. Dante: Gostou? Olhei para o buquê. Depois para a mensagem. Depois para o buquê novamente. Era ridículo o quanto aquilo estava me afetando. Eu: Não. Dante: Mentirosa. Meu coração acelerou. Eu: Convencido. Dante: Apenas observador. Idiota. Sorri sem querer. E odiei perceber isso. --- O resto da manhã passou lentamente. Ou pelo menos deveria ter passado. Mas era difícil ignorar um arranjo gigantesco de rosas ocupando o balcão da livraria. Principalmente quando todos os clientes comentavam sobre ele. Ou quando minhas colegas me lançavam olhares curiosos. Ou quando eu relia o cartão pela décima vez. Talvez vigésima. Eu definitivamente tinha um problema. No início da tarde, decidi fazer uma pausa. Peguei um café. Sentei perto da janela. E finalmente tive alguns minutos de paz. Ou quase. Porque quando levantei os olhos... Meu coração simplesmente parou. Dante estava do outro lado da rua. Observando a livraria. Meu café quase caiu. — Não. Ele sorriu. Como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. E então atravessou a rua. Na minha direção. Meu coração começou a bater tão forte que parecia impossível que ninguém percebesse. A porta da livraria se abriu. E lá estava ele. Novamente. Impecável. Confiante. Perigosamente bonito. — Você não trabalha? — perguntei assim que ele se aproximou. — Trabalho. — Então por que está aqui? — Porque queria ver você. A resposta veio tão rápida que fiquei sem palavras. Completamente sem palavras. Dante puxou a cadeira à minha frente. — Posso sentar? — Você vai sentar de qualquer jeito. — Provavelmente. E sentou. Sem esperar autorização. Homem impossível. — As flores foram exageradas. — Discordo. — Eram enormes. — Você merece maiores. Meu coração tropeçou outra vez. — Você faz isso com todas as mulheres? — Não. — Está mentindo. — Não estou. A intensidade da resposta me pegou de surpresa. Por um instante, ele pareceu completamente sério. — Nunca enviei flores para ninguém. Pisquei. — Nunca? — Nunca. Meu estômago deu um salto. Porque eu acreditava nele. E isso era perigoso. Muito perigoso. — Por quê? Os olhos dele encontraram os meus. E por um segundo o resto do mundo desapareceu. — Porque nenhuma delas era você. Meu coração simplesmente esqueceu como funcionava. E aquilo era um problema. Um problema gigantesco. Porque quanto mais tempo eu passava perto de Dante Moretti... Mais difícil ficava lembrar por que eu deveria resistir.
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