Capítulo 4

928 Palavras
Larissa Eu tinha sobrevivido ao casamento. Ou pelo menos era o que eu estava tentando convencer a mim mesma. Desde a noite anterior, meu cérebro parecia incapaz de pensar em qualquer outra coisa que não fosse Dante Moretti. O que era ridículo. Completamente ridículo. Eu o conhecia há menos de vinte e quatro horas. Menos de um dia. E ainda assim bastava fechar os olhos para lembrar daquele olhar. Daquela voz. Daquele sorriso irritantemente bonito. E da frase mais absurda da história da humanidade. Prazer em conhecê-la, futura esposa. Idiota. Arrogante. Completamente louco. Suspirei enquanto organizava uma pilha de romances na seção de lançamentos. O cheiro de papel novo sempre me acalmava. Livros faziam sentido. As pessoas não. Especialmente homens bilionários que aceitavam ser beijados por estranhas e depois falavam em casamento. — Você está suspirando de novo. Levantei a cabeça. Clara, uma das minhas colegas da livraria, me observava com um sorriso suspeito. — Não estou. — Está sim. — Não estou. — Está pensando em um homem. — Clara! Ela começou a rir. — Acertei. — Você está inventando coisas. — Então por que está sorrindo para uma prateleira? Olhei para os livros. Droga. Eu realmente estava sorrindo. — Não significa nada. — Significa tudo. Revirei os olhos. — Volta para o trabalho. — Só depois que me contar. — Nunca. — c***l. Balancei a cabeça e continuei organizando os livros. Mas meu coração acelerou quando a porta principal da livraria se abriu. Não porque eu estivesse esperando alguém. Mas porque, de repente, tive uma sensação estranha. Aquela sensação de estar sendo observada. Lentamente, levantei os olhos. E o mundo pareceu parar. Não. Não. Não. Não podia ser. Mas era. Dante Moretti estava parado na entrada da livraria. Usando um terno escuro impecável. Com uma das mãos no bolso. Observando diretamente para mim. Meu coração praticamente tentou fugir do peito. — Meu Deus — sussurrei. — O quê? — Clara perguntou. — Nada. Mentira. Era tudo. Absolutamente tudo. Porque Dante estava ali. Na minha livraria. Na minha frente. Como se tivesse saído diretamente dos meus pensamentos. E aquilo era impossível. Não era? Ele começou a caminhar. Passo após passo. Sem pressa. Sem hesitação. Como um homem que sabia exatamente para onde estava indo. Ou melhor... Exatamente para quem estava indo. Quando finalmente parou diante de mim, meu cérebro simplesmente desistiu de funcionar. Outra vez. — Bom dia, Larissa. A voz dele era ainda mais perigosa à luz do dia. — O que você está fazendo aqui? Um sorriso apareceu. — Comprando livros. Olhei ao redor. Depois para ele. Depois para o terno que provavelmente custava mais do que meu aluguel. — Você lê? A sobrancelha dele arqueou. — Isso foi um insulto? — Talvez. — Então estou ofendido. — Que pena. O sorriso dele aumentou. E, para meu completo horror... Aquilo fez meu estômago dar cambalhotas. — Você me perseguiu? A pergunta escapou antes que eu pudesse impedir. Dante pareceu genuinamente ofendido. — Perseguir é uma palavra muito feia. — Porque é exatamente isso que você está fazendo. — Eu prefiro chamar de interesse. — Eu prefiro chamar de perseguição. — Discordamos. Cruzei os braços. — Como você descobriu onde eu trabalho? — Tenho meus métodos. — Isso não respondeu à pergunta. — Eu sei. Homem impossível. Completamente impossível. — Você faz isso com todas as mulheres? — Faço o quê? — Aparece no trabalho delas no dia seguinte. — Não. — Então por que comigo? O olhar dele mudou. Ficou mais intenso. Mais sério. Mais perigoso. E, pela primeira vez desde que chegou, o sorriso desapareceu. — Porque você não é todas as mulheres. Meu coração falhou uma batida. Droga. Droga. Droga. Aquilo não deveria funcionar. Mas funcionava. Muito. Antes que eu pudesse responder, uma voz masculina surgiu atrás de mim. — Larissa, você pode me ajudar? Virei a cabeça. Era Eduardo. Um cliente frequente. Gentil. Educado. Completamente inofensivo. — Claro. Sorri para ele. E imediatamente senti alguma coisa mudar. Quando olhei novamente para Dante... Seu maxilar estava travado. Os olhos escurecidos. Fixos em Eduardo. Ah. Meu. Deus. Ele estava com ciúmes. Daquilo. De uma conversa completamente normal. — Interrompi alguma coisa? — Eduardo perguntou. — Não. — Sim — Dante respondeu ao mesmo tempo. Eu fechei os olhos. Porque, aparentemente, minha vida tinha virado uma comédia romântica. — Eduardo, este é Dante. Os dois homens se encararam. Nenhum deles sorriu. Nenhum deles falou. Nenhum deles piscou. Era como assistir dois predadores se estudando. — Prazer — Eduardo disse por educação. — Igualmente. Mentira. Até eu consegui perceber. Eduardo apontou para um livro. — Eu só precisava de ajuda para encontrar um título. — Eu ajudo. Antes que eu pudesse me mover, Dante pegou o livro da prateleira. Olhou para a capa. E entregou para Eduardo. — É esse. Eduardo piscou. — Obrigado. — Disponha. O cliente foi embora. E eu fiquei encarando Dante. — Você acabou de expulsar um cliente. — Ele ainda está aqui. — Por pouco. — Sobreviveu. Inacreditável. Completamente inacreditável. — Você é impossível. — Você já disse isso. — Porque é verdade. Ele deu um passo para frente. Diminuindo a distância entre nós. Meu coração acelerou imediatamente. — E você continua falando comigo. Engoli em seco. Porque ele tinha razão. E nós dois sabíamos disso. — Eu deveria mandar você embora. — Vai mandar? Olhei para aqueles olhos escuros. Para aquele sorriso confiante. Para aquele homem absurdamente bonito que parecia ter decidido invadir minha vida. E percebi uma coisa assustadora. Eu não queria que ele fosse embora. Nem um pouco.
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