Dante
Ela foi embora.
E eu não gostei disso.
Observei enquanto atravessava o salão segurando o braço da amiga.
Passos rápidos.
Como se estivesse fugindo.
Como se fugir fosse realmente uma opção.
Uma parte de mim queria rir.
A outra queria atravessar aquele salão, colocá-la sobre o ombro e levá-la embora dali.
Coisa que eu não fazia.
Nunca.
Eu não era um homem impulsivo.
Não tomava decisões baseadas em emoção.
Não perseguia mulheres.
Não perdia tempo com fantasias.
Minha vida era organizada.
Controlada.
Planejada.
Até aquela mulher de vestido azul aparecer na minha frente e roubar um beijo.
Meu maxilar se contraiu.
Ainda conseguia sentir o gosto dela.
Doce.
Suave.
Viciante.
Era ridículo.
Completamente ridículo.
Eu m*l sabia o nome dela.
E ainda assim não conseguia tirar aquele beijo da cabeça.
— Quem é ela?
A voz de Matteo interrompeu meus pensamentos.
Meu irmão mais novo apareceu ao meu lado segurando uma taça de whisky.
Ignorei a bebida.
Meus olhos continuaram fixos em Larissa.
— Larissa.
— Isso eu já percebi.
— Então por que perguntou?
— Porque claramente aconteceu alguma coisa.
Finalmente olhei para ele.
— Ela me beijou.
Matteo quase derrubou a taça.
— Ela fez o quê?
— Você ouviu.
— Não. Eu ouvi. Só estou tentando entender como uma desconhecida conseguiu fazer isso sem você mandar a segurança expulsá-la.
Boa pergunta.
Normalmente era exatamente o que teria acontecido.
Mas no instante em que ela segurou minha lapela...
Tudo mudou.
Porque eu vi o nervosismo.
Vi a coragem.
Vi a tristeza escondida atrás daqueles olhos castanhos.
E quando ela me beijou...
Não pensei.
Apenas reagi.
— Descubra tudo sobre ela.
Matteo arqueou uma sobrancelha.
— Tudo?
— Tudo.
— Nome completo?
— Sim.
— Onde mora?
— Sim.
— Onde trabalha?
— Sim.
— Estado civil?
— Sim.
— Dante...
— Tudo.
Meu irmão começou a rir.
— Você ficou obcecado em menos de dez minutos.
— Cinco.
— Isso não melhora a situação.
Talvez não.
Mas não me importava.
Porque alguma coisa dentro de mim já tinha tomado uma decisão.
E eu raramente voltava atrás quando decidia alguma coisa.
Voltei a olhar para Larissa.
Ela estava conversando com a amiga.
Mas de vez em quando seus olhos encontravam os meus.
E toda vez que isso acontecia...
Meu peito apertava.
Uma sensação estranha.
Desconhecida.
Incômoda.
E ao mesmo tempo agradável.
Como se eu finalmente tivesse encontrado algo que não sabia que estava procurando.
— Você está sorrindo.
Olhei para Matteo.
— Não estou.
— Está sim.
— Cuide da sua vida.
— Não posso. Aparentemente a sua ficou interessante de repente.
Ignorei o comentário.
Porque ele tinha razão.
Minha vida tinha acabado de ficar interessante.
Pela primeira vez em anos.
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Uma hora depois.
Larissa tinha ido embora.
E aquilo deveria encerrar a história.
Deveria.
Mas eu continuava pensando nela.
No carro.
No caminho para casa.
No elevador.
Até mesmo quando entrei no escritório da cobertura.
A mesma pergunta continuava voltando.
Por quê?
Por que ela?
Eu conhecia mulheres lindas.
Modelos.
Atrizes.
Socialites.
Mulheres que faziam de tudo para chamar minha atenção.
Nunca funcionava.
Então por que aquela mulher não saía da minha cabeça?
Sentei atrás da mesa.
Mas não consegui trabalhar.
Peguei um relatório.
Não li uma única linha.
Peguei o celular.
Olhei para a tela.
E pensei nela novamente.
Aquilo estava começando a me irritar.
Uma batida na porta interrompeu meus pensamentos.
— Entre.
Matteo entrou.
Com um sorriso satisfeito.
Eu conhecia aquele sorriso.
Significava que ele tinha encontrado alguma coisa.
— Já descobriu?
— Mais rápido do que imaginei.
Estendi a mão.
Ele entregou uma pasta.
— Nome completo: Larissa Almeida.
Meu olhar caiu imediatamente sobre a fotografia presa ao documento.
A mesma mulher.
Os mesmos olhos.
O mesmo sorriso.
O mesmo rosto que eu já não conseguia esquecer.
— Continue.
— Vinte e cinco anos.
Assenti.
— Trabalha em uma livraria.
Aquilo me surpreendeu.
— Livraria?
— Sim.
— Interessante.
— Solteira.
Algo dentro de mim relaxou imediatamente.
— E?
— Sem antecedentes.
— Que decepção.
Matteo riu.
Ignorei.
Continuei lendo.
Cada linha.
Cada detalhe.
Cada informação.
Como se estivesse tentando montar um quebra-cabeça.
Como se precisasse entender quem era a mulher que tinha conseguido me tirar do eixo com um único beijo.
Quando terminei...
Fechei a pasta.
— Onde fica a livraria?
Matteo começou a sorrir.
— Eu sabia.
— Responda.
— Centro da cidade.
Assenti.
Já tomando minha decisão.
— Dante...
— O quê?
— Você vai aparecer lá, não vai?
Pensei em Larissa.
No nervosismo dela.
Na forma como tentou fugir.
No modo como ficou sem palavras quando a chamei de futura esposa.
E sorri.
— Sim.
Porque uma coisa estava ficando cada vez mais clara.
Aquele beijo não tinha sido o fim da nossa história.
Tinha sido apenas o começo.