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Laço de FAMÍLIA

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Sinopse

Christian perdeu a esposa e acabou negligenciando o próprio filho. Mas 13 anos depois Christopher foi morar com o pai e a noiva do mesmo, o qual Christian tenta criar laços com o filho.

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Capítulo 1
Narrado por Christian Junqueira A chuva batia contra a janela do meu escritório, criando um som ritmado que, em qualquer outro momento, poderia ser relaxante. Mas não hoje. Hoje, tudo que eu conseguia sentir era o peso do silêncio dentro do apartamento e a barreira invisível que separava meu filho de mim. Christopher estava trancado no quarto desde que chegou da escola, como sempre fazia. Nem um "oi", nem um olhar. Apenas passava por mim como se eu fosse um estranho qualquer. Eu deveria estar acostumado, afinal, ele viveu treze anos da vida dele sem mim por perto. Mas me incomodava. Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer, e me levantei da cadeira. Os papéis na minha mesa continuariam ali amanhã, mas essa relação entre nós... Eu não sabia por quanto tempo conseguiria segurá-la antes que desmoronasse de vez. Saí do escritório e caminhei até a porta do quarto de Christopher. Bati duas vezes. — Filho, podemos conversar? Nenhuma resposta. Suspirei. Essa era a nossa rotina. Eu tentava me aproximar, e ele erguia um muro ainda mais alto entre nós. — Christopher... — tentei de novo. — Sei que você está ouvindo. — E daí? — a voz abafada veio do outro lado da porta. — O que você quer agora? — Jantar. Anastácia está preparando algo para nós. Silêncio. — Não estou com fome — respondeu ele, finalmente. Fechei os olhos por um instante, sentindo a frustração subir. Christopher era teimoso, mas eu também era. — Mesmo assim, saia um pouco do quarto — insisti. — Você não pode viver trancado aí para sempre. — Mas eu posso tentar. Era isso. Era sempre assim. Cada conversa nossa terminava em respostas curtas, sarcasmo ou uma barreira que eu não conseguia atravessar. Antes que eu pudesse responder, senti uma mão suave tocar meu braço. Virei o rosto e encontrei os olhos azuis de Anastácia, minha noiva. — Deixa ele — disse ela, baixinho. — Talvez daqui a pouco ele saia. Suspirei, vencido. Anastácia sempre tentava apaziguar as coisas entre nós. Ela era dez anos mais nova do que eu e, de certa forma, trazia leveza para um ambiente que, sem ela, seria sufocante. — Ele nunca quer conversar — resmunguei, enquanto descíamos para a cozinha. — Você tem que dar tempo a ele, Christian. Christopher passou treze anos morando com os avós. Eles eram os pais dele na prática. E, de repente, ele teve que se mudar para cá e viver com um estranho. Fiz uma careta. — Eu não sou um estranho. Eu sou o pai dele. — Mas não da forma que ele precisava que você fosse — ela rebateu, com delicadeza. O que eu poderia dizer? Ela estava certa. Eu sempre amei meu filho, mas minha forma de amar tinha sido distante. Quando a mãe dele morreu no parto, eu simplesmente não soube como lidar com aquilo. Estava quebrado, perdido... e, no fim, aceitei sem hesitar que os pais dela criassem Christopher. E agora, anos depois, tentava recuperar um tempo que talvez nunca mais voltasse. Anastácia se aproximou e segurou minha mão. — Vai dar certo. Você só precisa insistir. Olhei para ela. Anastácia sempre tentava nos aproximar, como se acreditasse que, com o tempo, o coração de Christopher pudesse amolecer. Talvez estivesse certa. Talvez eu só precisasse ser paciente. Mas paciência nunca foi meu forte. Mais tarde naquela noite, eu já estava na sala quando Christopher finalmente apareceu. Não disse nada, apenas caminhou até a cozinha e pegou um sanduíche na geladeira. — Finalmente resolveu sair da caverna? — perguntei. Ele me olhou de lado, desconfiado. — Não me enche. Balancei a cabeça. Era difícil ser paciente com ele quando cada tentativa minha era recebida com hostilidade. Mas então, antes que ele voltasse para o quarto, Anastácia apareceu. — Christopher! — exclamou, sorrindo. — Pensei que não ia sair mais do quarto. Diferente de como me tratava, Christopher não era rude com Anastácia. Talvez porque ela nunca forçava nada, apenas o tratava com naturalidade. — Só vim pegar algo pra comer — murmurou. — Então senta aqui — ela disse, apontando para o sofá. — Vamos assistir a alguma coisa. — Não estou a fim. — Ah, que pena... Íamos assistir àquele filme que você disse que gosta. Christopher hesitou. Fiquei surpreso. Ele tinha falado de um filme com Anastácia? — Qual filme? — ele perguntou. — O do herói que você falou outro dia. Meu filho olhou para ela, desconfiado. — Você lembra disso? Anastácia deu de ombros. — Claro. Eu presto atenção quando você fala. Aquilo me atingiu de um jeito estranho. Eu também prestava atenção. Eu só não sabia como demonstrar. Christopher pareceu pensar por um momento, depois soltou um suspiro resignado e se jogou no sofá. Eu e Anastácia trocamos um olhar. Era um pequeno progresso. Na manhã seguinte, acordei com o som da porta batendo. Me levantei rapidamente e fui até a sala, onde vi Christopher colocando a mochila nas costas. — Onde você vai? — perguntei. — Escola — respondeu, seco. — Eu posso te levar. Ele riu, debochado. — Não precisa. Vou de ônibus. Eu odiava essa barreira entre nós. — Christopher... Ele revirou os olhos. — Já vai começar? — Não. Eu só... — respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos. — Eu sei que você não gosta de morar aqui. Ele me olhou, sem responder. — Mas eu estou tentando — continuei. — De verdade. Por um segundo, algo no rosto dele suavizou. Mas logo ele balançou a cabeça e desviou o olhar. — Talvez você devesse ter tentado antes. E com isso, ele saiu, me deixando parado ali, com um peso no peito. Mais tarde, quando Anastácia voltou do trabalho, encontrou-me sentado no sofá, olhando para o nada. — O que foi? — perguntou, sentando-se ao meu lado. — Christopher. Ela suspirou. — O que aconteceu? — Ele ainda me culpa. — E você ainda se culpa? Fiquei em silêncio. Ela segurou minha mão. — Christian, ele tem motivos para estar magoado. Mas isso não significa que ele não vá te perdoar. — E se ele nunca perdoar? — Então você vai continuar tentando. Olhei para ela. Anastácia sempre via o lado bom das coisas. Eu queria ter essa fé que ela tinha. — Ele vai te dar uma chance, Christian — ela insistiu. — Mas no tempo dele. Eu só esperava que esse tempo não demorasse para chegar. Naquela noite, quando Christopher voltou da escola, notei que ele estava mais silencioso que o normal. — Como foi o dia? — perguntei. Ele deu de ombros. — Normal. — Quer jantar? — Tanto faz. Era um "sim" disfarçado. Anastácia sorriu para mim, como se dissesse "viu?". Jantamos em um silêncio confortável. Não era perfeito. Mas era um começo. Eu só precisava continuar tentando. E, talvez um dia, ele me deixasse entrar.

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