Dois dias. Foram só dois dias desde que aquele homem apareceu no portão. Mas parecia que eu tinha envelhecido uns cinco anos. Dante não falava direito comigo. Passava mais tempo no rádio, andando de um lado para o outro, parecendo um animal enjaulado. A cada meia hora, entrava alguém diferente na nossa casa: homem de boné, colete, rádio no ombro. Um deles até subiu no telhado. Outro ficou horas mexendo na instalação elétrica da sala. Na primeira noite, eu aguentei calada. Na segunda, quando acordei com o barulho de um homem instalando uma câmera na frente da porta da cozinha, aí não deu mais. — Já chega, Dante! Ele estava sentado no sofá, mexendo no telefone, parecendo não escutar. — Eu tô falando com você! Ele levantou o olhar devagar. — Não tô fazendo isso porque quero. — Tá tran

