Dante riu baixinho. Um riso curto, rouco, cheio de deboche, como se estivesse se divertindo com a minha tentativa miserável de impor alguma regra dentro da minha própria casa. — Se for por causa da moto, eu levo de carro. — Ele disse com aquela calma perigosa que me dava mais medo que um grito. — Você tem carro? — Tenho o que eu quiser. E olhou direto para mim depois de dizer isso, como se cada palavra fosse proposital. Eu fiquei ali, com os dedos ainda molhados da pia, tentando manter a postura, mesmo sabendo que o controle já tinha escapado da minha mão fazia tempo. — Eu disse que não. — Minha voz saiu firme, mas por dentro eu tremia inteira. Ele me encarou por alguns segundos, como se estivesse medindo até a forma como meu peito subia e descia. — Relaxa. Não vou arrancar tua fil

