A noite tinha sido estranhamente calma, mas a paz aqui nunca dura muito. Já estava deitada, quase pegando no sono, quando ouvi o barulho no portão. Um bater de palma rápido e seco, seguido por uma voz rouca chamando meu nome. Conhecia aquele som antes mesmo de meu cérebro entender o que era. Levantei com o coração batendo na garganta, os pés descalços no chão frio. Abri a porta devagar e dei de cara com ele. Dante. O canto da boca sangrando, o supercílio aberto, a camiseta manchada de sangue e poeira. Ele parecia ter saído direto do meio de uma guerra, e provavelmente tinha. — Que p***a foi que aconteceu? — soltei, antes mesmo de pensar. Ele ignorou a pergunta, passou por mim e entrou na sala como se a casa fosse dele. Sentou no sofá com um suspiro pesado, a cabeça encostada, os olhos

