Ficamos um bom tempo no shopping, e aquela sensação de normalidade era ao mesmo tempo maravilhosa e assustadora. Depois que a Clara terminou a batata frita e o refrigerante, Dante comprou um sorvete para ela. Eu recusei quando ele me ofereceu, com um aperto no peito. Estar naquele lugar, com pessoas olhando, com ele ao meu lado como se fôssemos uma família... mexia comigo de um jeito que eu não sabia nomear. Na volta para o carro, ele parou em frente a uma loja de roupas. Entrou com a mesma naturalidade com que fazia tudo, escolhendu várias peças para Clara: vestidos, calças, uma jaqueta e pagando tudo à vista sem hesitar. Mas então, sem transição, ele se voltou para mim, o olhar percorrendo meu corpo desgastado. — Agora você — disse, e antes que eu pudesse recusar, ele já estava puxando

