41. Dante

1142 Palavras

As coisas estavam confusas, mais do que eu queria admitir, mais do que eu sabia lidar. Nunca fui o tipo de homem que se apega, nunca tive paciência para criar vínculo com ninguém. Desde moleque aprendi que sentir é uma merda que só atrapalha, que qualquer fraqueza vira brecha. E brecha, num lugar como esse, significa morrer. Mas ali estava eu, sentado no sofá da casa dela, com a cabeça ainda meio zonza da febre e com uma vontade incontrolável de não sair dali. O cheiro da casa, o barulho da TV com o desenho da menina, a voz da Luna vindo da cozinha reclamando de alguma coisa com o gás ou com o açúcar... Tudo aquilo estava me deixando estranho. Olhei para o lado e vi a Clara sentada no chão da sala, com as perninhas cruzadas, colorindo um desenho torto de um cachorro. Ela cantava baixinho

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