24. Luna

1099 Palavras

Depois que a Clara terminou de comer, ela se arrastou de volta pro quarto com a boneca debaixo do braço, dizendo que ia brincar um pouco antes da aula começar. Eu fiquei na cozinha recolhendo as xícaras, tentando ocupar as mãos pra não olhar pra ele. Queria me convencer de que, se eu mantivesse a cabeça baixa, ele ia cansar e ir embora. Mas claro que não foi assim. Quando levantei os olhos, ele já não estava mais na cozinha. O coração disparou. Fui até a sala, e lá estava ele. De pé, no meio do cômodo, olhando pras coisas como se fosse dono de cada objeto. O olhar dele passeava pelas paredes, pelas fotos antigas que eu tinha da minha mãe e da Clara ainda bebê, pelos poucos móveis gastos que eu consegui comprar aos trancos e barrancos nos últimos anos. Ele andava devagar, como quem aval

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