22. Luna

1132 Palavras

Montei um prato pra mim também, mais pra manter a rotina e fingir que estava tudo bem. E, no meio desse fingimento, preparei outro prato. Um maior, com mais comida. Eu não perguntei se ele queria. Também não ofereci. Simplesmente levei até ele, deixei na mesinha de centro e voltei pra cozinha como se fosse normal ter um homem armado jantando na minha sala. Ele comeu. Sem dizer uma palavra. Sem agradecer. Só comeu, como se aquilo fosse o certo, como se a comida estivesse ali pra ele, como se eu fosse obrigada a fazer aquilo. A Clara comeu no chão da sala, de frente pra TV, com o volume mais baixo que o normal. Ela parecia menos tensa que eu, talvez porque fosse criança e porque, pra ela, Dante era só mais um adulto estranho ocupando espaço. Ela até trocou algumas palavras com ele, puxou c

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