Já era quase meia-noite quando voltei. Tinha deixado os moleques resolvendo a contabilidade lá em cima, cada um com a planilha do jeito que sabe: cabeça, lápis, dedo no papel. Mas eu precisava sair dali antes que explodisse. Passei o dia inteiro tentando parecer inteiro. Fingindo que a conversa com aquele filho da p**a não mexeu comigo. Fingindo que a Luna não me olhou daquele jeito de medo e decepção ao mesmo tempo, como se eu tivesse falhado com ela. E eu falhei mesmo. Deixei aquele merda chegar perto demais. Deixei minha mulher enfrentar o pai da filha dela sozinha. Deixei ela tremer, deixar lágrima cair, e eu nem tava ali. Quando entrei em casa, tava tudo apagado. Só a luz do corredor acesa. Tirei o casaco, larguei o rádio no sofá e fui até o quarto. A porta tava entreaberta. A Cl

