O silêncio dele começou na terça-feira. Na quarta, ele dormiu na sala. Na quinta, nem voltou pra dormir. E hoje era sexta, e eu já sabia que ele só ia aparecer quando o mundo explodisse. E por mais que eu gritasse aqui dentro que não me importava, que era melhor assim, que eu precisava de espaço, eu me importava sim. Era impossível viver naquele lugar e não notar a ausência dele. O Dante não era um homem que sumia: ele era presença pura. Ele ocupava espaço até quando não falava, até quando só respirava. Ele era o tipo de homem que deixava marca até quando não tocava. E agora, com ele afastado, a casa parecia uma vitrine depois do assalto. A Clara começou a perceber. Ela perguntou no segundo dia se ele ia voltar pra jantar. No terceiro, se ele ainda era "nosso". No quarto, ela já não

