107. Luna

1212 Palavras

O primeiro minuto pareceu uma eternidade. O segundo foi quando eu entendi que não era tiroteio curto. Não era "aviso". Não era barulho pra assustar. Era invasão de verdade. Eu fiquei encolhida no corredor, com as costas coladas na parede e o celular apertado no peito, como se eu conseguisse segurar o mundo ali dentro. O chão era frio. O coração era quente demais, batendo tão forte que dava enjoo. Os tiros vinham em ondas, pausas curtas e começava de novo, mais perto, mais alto, mais agressivo. Às vezes tinha um silêncio de dois, três segundos que me fazia levantar a cabeça, burra, esperançosa... e aí vinha outro estouro, como se o morro cuspisse fogo de novo. O pior não era só o som. Era a sensação de que, a qualquer momento, o som podia virar a porta arrebentando. Eu me obriguei a re

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