106. Luna

1107 Palavras

Eu tava com a mão na pia quando senti. Não foi barulho. Não foi grito. Foi aquela mudança no ar, como se o morro prendesse a respiração junto comigo. Um silêncio curto demais, pesado demais. Até os sons normais, uma televisão ao longe, um rádio chiando pareceram diminuir, como se alguém tivesse baixado o volume do mundo. Meu coração começou a bater errado. Eu sequei as mãos no pano de prato sem nem perceber que tava tremendo. Fui até a janela, afastei a cortina só um pouco. Lá embaixo, dois moleques passaram rápido demais. Olhar grudado nos cantos. Sem risada, sem conversa. Um deles levou a mão ao ouvido, como se tivesse rádio. Eu recuei. A casa pareceu pequena. O ar, grosso. Peguei o celular. Meus dedos estavam frios. Olhei a tela como se ela fosse me dar uma resposta. E aí ele ligou

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