88. Luna

1003 Palavras

A manhã começou estranha. Eu ainda tava me acostumando com essa rotina de acordar e ver o Dante ali, jogado no sofá ou na ponta da cama, como se a casa também fosse dele. Às vezes, ele fazia café antes de mim. Às vezes, só me esperava em silêncio, mexendo no rádio, enquanto a Clara falava sem parar sobre um desenho qualquer. Mas aquele dia, ele tinha saído cedo. Disse que ia resolver umas coisas com os meninos da parte alta do morro. Me beijou na testa e foi embora. Eu fiquei ali com a Clara, preparando a lancheira e tentando fingir normalidade. A casa nova tava em silêncio quando bati a porta. Levei a Clara até o portão da escola e voltei andando devagar, pensando que talvez fosse o momento certo de tentar arrumar alguma ocupação de verdade. Nem que fosse algo pequeno. Uma tentativa de

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR