O sol já estava quase se pondo quando eu cheguei em casa. As pernas doíam, os pés latejavam dentro do tênis velho e a cabeça parecia querer explodir. Tinha rodado o bairro inteiro. Desci morro, subi rua, entrei em comércio, fui de porta em porta. Cada lugar, a mesma desculpa: "A gente já tem o quadro completo", "Estamos sem vaga no momento", "A gente te liga". E os olhares, sempre os malditos olhares. Gente me olhando de cima a baixo como se soubesse exatamente quem eu era, ou pior, como se soubesse exatamente quem estava por trás de mim agora. Quando empurrei o portão de casa, respirei fundo tentando me preparar para mais um fim de tarde igual aos últimos: Dante largado no sofá, Clara correndo pela casa e eu fingindo que estava tudo bem. Mas o que eu encontrei foi ainda pior. Ele esta

