Eu fiquei olhando ela quieto demais depois que voltou do quarto. Luna sempre volta diferente dos lugares, do quarto, do banho, do silêncio. Como se cada intervalo longe de mim reorganizasse alguma coisa dentro dela. Dessa vez, ela veio mais calma. Não era cansaço. Era decisão. Eu conheço esse tipo de olhar porque já vi no espelho vezes demais. Ela se sentou do meu lado no sofá, puxou as pernas pra cima e se encolheu em mim sem pedir. Antigamente, ela sempre perguntava com o corpo se podia ficar. Agora não. Agora ela ficava. E isso dizia tudo. Eu pensei no começo. Pensei nela desconfiada, sempre pronta pra fugir, sempre com metade do corpo longe. Pensava que amor tinha que doer, que homem vinha com cobrança, com abandono, com perigo. E eu não ajudei muito a convencer do contrário no iníci

