101. Luna

839 Palavras

Acordei antes do sol. Não porque Clara me acordou, como de costume, nem porque o barulho do morro começou cedo. Acordei porque senti o peso do corpo dele ainda ali, como se minha cabeça tivesse aprendido a não descansar direito quando Dante estava perto demais. Ele dormia de lado, virado pra mim. Um braço largado por cima da minha cintura, pesado, quente. Não era posse naquele gesto. Era cansaço. O rosto dele parecia diferente dormindo. Menos duro. Menos dono de tudo. A barba por fazer, a boca entreaberta, a respiração lenta. Se alguém me dissesse meses atrás que eu ia acordar assim, com o dono do morro dormindo na minha cama como um homem comum, eu teria rido na cara. Agora eu só sentia um aperto estranho no peito. Clara roncava baixinho do outro quatro, provavelmente abraçada no urs

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