— Na escola aconteceu alguma coisa? — Insisti mais um pouco, sabendo que logo ele renderia. Ele puxou o ar devagar, como quem escolhe o que vai deixar escapar. — Um carro parou na esquina. Vidro escuro. Ficou tempo demais. — Você tem certeza que era... — Eu tenho certeza que eu não gostei. — E você fez o quê? — Eu senti meu estômago afundar. — Olhei de volta. Eu soltei uma risada sem humor. — Você olhou de volta. Isso é o plano? Ele virou o corpo pra mim. Agora perto. O cheiro dele me acertou, aquele misto de café e homem que vive com o perigo grudado na pele. — O plano é simples: ninguém encosta em vocês. — Isso não é plano, Dante. Isso é loucura! — É o que funciona. — Ele estreitou o olhar. Eu devia retrucar. Eu devia dizer que eu não era coisa dele, que eu não aceitava. Só q

