103. Luna

1286 Palavras

A casa parecia pequena demais pra tanta tensão. Dante passou quase a manhã toda perto da janela como se a rua fosse um inimigo pessoal. Eu olhei pra ele e senti aquela mistura velha de medo e vontade, mas agora tinha outra camada por cima: um tipo de carinho que eu ainda não sabia usar. Carinho dá trabalho. Deixa a gente vulnerável. Eu respirei fundo, tirei o pano de prato do ombro e joguei em cima da bancada. — Chega. Ele virou o rosto na hora, sobrancelha arqueada, como se eu tivesse dito que ia tocar fogo na casa. — Chega o quê? — Chega de ficar aí parado como se fosse explodir uma bomba a qualquer momento. — Apontei pro fogão com o queixo. — Vem me ajudar a fazer almoço. Dante me olhou como se eu tivesse pedido pra ele recitar poema. — Eu já te ajudo te deixando em paz. — Eu nã

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