104. Luna

1118 Palavras

O almoço foi ficando pronto aos poucos, do jeito que as coisas ficam quando a gente finge que a vida não tá por um fio. O arroz soltinho, o feijão engrossando, a carne chiando na frigideira. Cheiro de alho e cebola grudando na casa, como se desse pra selar a porta com normalidade. Dante ficou na cozinha comigo o tempo todo, mas "ajudar" era uma palavra forte. Ele encostou na bancada, braços cruzados, olhando eu mexer panela como se eu estivesse desarmando uma bomba. Às vezes ele dava um passo até a janela, olhava pra fora, voltava e ficava parado de novo, sempre perto demais, sempre presente. — Você vai ficar aí me encarando até eu errar o sal — eu falei, mexendo o feijão. — Eu não tô te encarando. — Tá sim. Ele levantou uma sobrancelha, como quem não admite nada. — Tô de olho. —

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