98. Luna

1182 Palavras

Os dias passaram estranhos. Estranhos no bom sentido. Dante não saiu dali. Não oficialmente. Mas tava. Dormia, acordava, implicava com a louça, reclamava da toalha molhada em cima da cama. Briga pequena, risada no meio, beijo roubado na cozinha. Climinha de gente que tá tentando fingir normalidade enquanto vive em terreno minado. Eu até esquecia, às vezes. Naquele dia, eu tava na cozinha fazendo almoço. Arroz no fogo, alho estalando na panela, feijão já pronto. Camisa dele jogada na cadeira, minha música baixa no celular. A casa cheirava a comida e rotina, coisa que eu nunca tive direito. Ouvi a porta bater. — Cheguei — a voz dele ecoou pela casa. — Lavou a mão? — gritei de volta, automática. — Ainda não virei criança — respondeu, mas ouvi a torneira abrindo. Quando ele apareceu na

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