14. Luna

987 Palavras

A cozinha também tava cheia. Eu tinha conseguido comprar arroz, feijão, macarrão, óleo, farinha, uns pacotes de biscoito e até um leite em pó que ela gostava. O botijão de gás tava cheio. As contas de luz e água pagas. Até um casaco novo, quentinho, ela tinha ganhado. Passei a manhã fazendo um bolo simples de fubá, tentando ocupar a cabeça. Enquanto mexia a massa com a colher de p*u, repeti pra mim mesma, como um mantra: "Tá tudo bem. Eu não preciso dele. Eu não preciso de mais nada. Minha irmã tá alimentada, aquecida e feliz. Eu tô em casa. Em segurança. Eu posso continuar assim." Coloquei o bolo no forno, limpei a pia, dobrei umas roupas. Quando fui pro quarto, me peguei parada, olhando o guarda-roupa novo. Passei a mão pela madeira cheia de marcas... como se aquilo fosse meu troféu

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