13. Luna

1072 Palavras

Nos dias seguintes, parecia que o morro inteiro tinha uma piada nova, e o tema era eu. Onde passava, sempre havia um comentário atravessado, uma risada m*l disfarçada, um olhar de deboche. — Olha lá, a queridinha do dono — ouvi um deles dizer enquanto passava em frente ao bar. — Agora só trabalha quando ele deixa, né? — outro gritou do alto da escadaria, rindo alto. — Será que ele paga por hora ou por mês? — alguém completou, arrancando gargalhadas de mais três que estavam encostados no muro. As mulheres também não perdoavam. Até as que sempre me cumprimentaram com falso respeito agora cochichavam entre si, com aquele olhar de quem se acha melhor só porque transa de graça. A humilhação vinha em doses pequenas o dia inteiro. Nos olhares, nas frases soltas, nos risos abafados. Cada pass

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