O tempo passou devagar. O sol se pôs e as outras meninas entraram nos carros, subiram nas motos e voltaram com dinheiro nos bolsos. E eu, nada. Minhas pernas doíam de tanto ficar parada. Meu estômago roncava e minha cabeça latejava, mas o que mais incomodava era meu orgulho ferido. Não queria o olhar de pena das outras meninas, nem o riso dos caras, nem o silêncio forçado. Só queria fazer meu trabalho, pegar meu dinheiro e ir para casa. Mas ali, naquele dia, ficou claro que eu não tinha mais esse direito. Seu nome estava colado em mim, mesmo que eu não quisesse, mesmo que eu lutasse. Quando o céu escureceu completamente e as luzes dos postes acenderam, desisti. Saí andando com o corpo pesado, os olhos ardendo e os bolsos vazios. De volta para casa, de volta para Clara e de volta para e

