O que acontece em Vegas, fica em Vegas...
Mal as palavras saíram da minha boca, parecia que uma barragem havia sido liberada. Victor me segurou mais firmemente e virou o rosto em minha direção, unindo seus lábios aos meus.
Havia um toque de desespero em nosso beijo, uma urgência vinda da necessidade de ter um ao outro. Ele sabia se mover com perfeição, e não era a agilidade da luta ou do ritmo da dança. Não… Era entre quatro paredes e no vai e vem dos nossos corpos que Victor mostrava todo o seu potencial.
Eu não lembrava direito como conseguimos chegar ao quarto, éramos uma mistura de toques, beijos e carícias. m*l fechamos a porta da nossa suíte, e as minhas roupas sumiram, rasgadas e largadas no piso.
O tempo de amenidades e delicadezas havia sumido com o desejo irrefreável.
Victor — ainda de calça jeans — me prensou contra a parede, suas mãos em meus cabelos, puxando minha cabeça para trás. Ofeguei diante da mordida, seguida por uma carícia de sua língua. Ele me levantou como se eu não pesasse nada, e minhas pernas foram parar em seu ombros.
Porra! Victor era forte.
Mantendo-se em pé, Victor me segurava pela b***a. Quando sua língua encontrou minha carne macia, eu gritei. Era uma sensação louca estar naquela posição, tinha a impressão que iríamos cair, mas confiava em Victor, sabia que ele me seguraria. Com nossas alturas combinadas ao formato inclinado do hotel Luxor, coloquei minhas mãos no teto, como apoio.
Eu rebolava contra sua boca, sua língua não dava nenhuma trégua, e a prudência desvanecia de mim. Soltei o teto para beliscar meus m*****s. Tornei-me sensação, chamas e prazer. O ar saía entrecortado dos meus lábios. E eu queria mais…
Como se pudesse ouvir o meu apelo silencioso, Victor me desceu, escorregando meu corpo contra o seu. Em sua boca, senti o meu próprio gosto. Como não conseguia levantá-lo como havia feito comigo, ajoelhei-me e desabotoei suas calças. Estava curiosa com o que encontraria, e não me decepcionei, passei a mão por sua extensão ainda oculta pela boxer, vendo-a crescer mais.
Quando sua ereção saltou livre, encarei Victor enquanto a tomava na mão. Ele parecia inebriado de desejo e expectativa. Sem desviar o olhar, lambi sua ponta. Um suspiro de prazer escapou de Victor, e eu o tomei na boca. Mãos, lábios, língua e sucção. Rápido e devagar, subindo e descendo. Provocando, até seus dedos estarem em meus cabelos e os lábios cerrados, concentrados em não explodir antes do tempo.
Parei antes que ele o fizesse.
Não demorou muito para eu estar imprensada na parede de novo e depois sentada na bancada. Ele me inclinou para trás, beijando e mordiscando meu queixo, ombros e s***s. Minhas costas se arrepiaram com o frio da madeira, em contraste com a boca quente de Victor em meus m*****s, e com as mãos ásperas em minha pele macia.
Sua mão desceu pelo meu abdômen até o meio das minhas pernas. Notei seu sorriso sacana ao encontrar a umidade desejada. Um dedo, e mais outro, estimulando minhas terminações nervosas. Ele afastou a mão e me puxou para mais perto da bancada. Joguei a cabeça para trás quando ele me penetrou sem resistência, sentindo o calor da sua pele me preencher por completo.
O calor de sua pele?
— Merda! — Victor saiu de mim. — Você me enlouquece…
Passei os braços ao redor de seu pescoço e o beijei, arrependida por ter vindo sem nenhuma proteção.
— Não tenho camisinha — declarei.
— Eu tenho na mala. — Eu levantei uma sobrancelha, e ele piscou um olho. — Gosto de ser precavido…
Não reclamaria, pelo menos um de nós era prevenido. Observei Victor caminhar até a mala e procurar uma bolsinha preta com pacotes prateados. Como eu havia imaginado, a b***a dele era perfeita, e eu queria apertar.
Saltei da bancada e fiz exatamente isso, e ele deu um pulo de susto. Aproveitei que o peguei desprevenido e o empurrei na cama, tomando a camisinha de suas mãos. Engatinhei pelo colchão para tomá-lo em minha boca mais uma vez antes de colocar a proteção em seu m****o.
Deixei-o ofegante, ansiando por libertação, e montei em seus quadris, guiando-o para dentro de mim. Não falávamos nada, nosso fôlego estava guardado para beijos e gemidos, ou gritos desesperados de prazer. Aquilo era bem mais divertido do que qualquer treino de chão…
Quando me inclinei em sua direção, ele fez um rolamento, invertendo nossas posições. Minha breve risada por vê-lo dando um golpe nesse momento foi substituída por um gemido alto, quando saiu de mim para me penetrar com mais força.
Joguei a cabeça para trás, qualquer raciocínio lógico se esvaindo de minha mente.
Minhas pernas ao redor da sua cintura, suas poderosas mãos em meus cabelos, os puxando enquanto nossos sexos se uniam sem parar. Meu grito de prazer se perdeu na noite, ao ser totalmente preenchida por ele.
Insaciável.
Era assim que eu me sentia, o desejo de semanas não podia ser satisfeito com um único orgasmo… Por sorte, Victor deveria pensar o mesmo. O bom de ser atleta é o vigor físico.
Rápido. Forte. Brutal.
Na cama, contra a janela, com as luzes da cidade de pano de fundo, debruçada contra a mesa, em cima da cadeira, na banheira... As superfícies do quarto como testemunhas silenciosas da explosão cataclísmica que era estar com Victor Bersanni.
∞
O som de água escorrendo me acordou, assim como a enorme vontade de ir ao banheiro para aliviar a bexiga. Com os olhos semicerrados, passei a mão no colchão e senti apenas a fria maciez dos lençóis finos. Despertei completamente, ajustando minha visão à penumbra do quarto.
As cortinas blackout ainda estavam fechadas, e pelo barulho, deduzi que Victor estava no chuveiro, tomando banho.
Dividir quarto de hotel era uma porcaria, como ir ao banheiro sabendo que o outro ouviria? Victor foi esperto, correu para lá enquanto eu ainda estava adormecida. Sentei-me, a cabeça levemente tonta por toda a bebida e noite m*l dormida. Ao encarar o meu reflexo no espelho da parede, um peso não relacionado com a minha bexiga ou com a dor latente no fundo da minha cabeça me atingiu em cheio. A imagem ali refletida — de cabelos desgrenhados, pele pálida e olhos de ressaca — era uma pequena amostra de como eu me sentia por dentro.
Mila…
O que eu tinha feito?
Como pude fazer isso com ela? Estive tão envolvida com o clima de Vegas e essa atração por Victor, que esqueci completamente dela! Tornei-me aquilo que mais menosprezava: uma traidora.
Eu era uma grande hipócrita, verdade fosse dita. Victor não ficava muito atrás. Permiti-me esquecer que trapaça era comum para ele e baixei a guarda. Não podia culpar o álcool, estava embriagada, mas não era uma bêbada desvairada.
Respirei fundo, sabendo que jamais poderia deixar aquilo em Vegas. O fantasma da verdade me perseguiria para sempre. Eu não tinha transado com um desconhecido qualquer, era o meu treinador e namorado, ou sei lá o quê, da minha amiga. Sentia-me suja, com o cheiro de Victor ainda impregnado em meu corpo. Vestígios de uma noite inconsequente.
Levantei, vestindo a primeira roupa que encontrei — um short jeans e uma camiseta —, e saí correndo com os cabelos bagunçados, presos sem cuidado algum.
Precisava de um segundo para pensar.
Apenas um momento sem olhar para cada superfície do quarto e sem lembrar das coisas deliciosamente perversas que fizemos um ao outro.
Não fui muito longe, entretanto, não poderia escapar da minha consciência. Quando voltei e abrir a porta, encontrei Victor parado em frente à janela, vestindo apenas uma calça jeans. Parecia concentrado no movimento da cidade. Em seu ombro, uma mancha arroxeada de formato elíptico se destacava. Eu tinha feito aquilo com minha boca, em meio ao vórtice de luxúria da noite anterior.
— Precisamos conversar — disse, trancando a porta atrás de mim.
Victor se virou, os olhos escaneando cada detalhe de mim, como se procurasse por algo. Eu me senti exposta diante de seu escrutínio e, por uma fração de segundo, me odiei por ainda querê-lo.
Esse desejo que aquecia meu corpo e fazia o meu coração retumbar no peito era uma prova daquilo que temia: não conseguiria manter esse sentimento em Vegas. Toda vez que nós treinássemos juntos, minha concentração seria dividida entre o dever e a memória de suas mãos em meu corpo, me excitando.
Como eu queria voltar no tempo e desfazer as últimas horas!
— Achei que você tivesse ido embora — ele se aproximou, o aroma de sabonete emanando da pele me inebriava com a lembrança de nós dois.
Era hora de ser sincera, não podia continuar com meias-verdades.
— Você conseguiria deixar a noite passada apenas em Vegas e nunca mais lembrar? — perguntei o que martelava no fundo da minha mente.
Eu teria significado algo para ele, ou era mais uma transa qualquer? Victor encurtou o espaço entre nós, sua mão tocou meu rosto com uma gentileza imensa, num leve roçar de dedos. Quase como se tivesse fazendo algo proibido.
— Se for o que você deseja — um certo pesar marcava o tom de sua voz —, eu fingiria.
Ele fingiria, mas não esqueceria, era o que parecia dizer. Não era incomum e nem impossível uma lutadora e um treinador se relacionarem, alguns até se casavam. Nós poderíamos voltar como um casal, se não houvesse um grande impedimento.
— E a Mila? — questionei.
Sua testa franziu, e ele recuou, ficando momentaneamente confuso:
— O que tem ela?
— Eu pensei que vocês dois estavam juntos… — A expressão estupefata de Victor mostrava que eu me enganara, e feio. Tentei remendar: — Desculpe, eu me senti tão envergonhada por te desejar o tempo inteiro, que terminei não perguntando nada. Quando acordei, achava que a noite passada tinha sido um erro...
Victor se afastou, exasperado, como se tivesse levado um tapa, e permaneceu de costas para mim. Ele balançou a cabeça para os lados, suas mãos abriram e fecharam em punhos. Eu podia sentir sua indignação, apesar de não ser capaz de ver o seu rosto.
— Pode parar por aí, não precisa continuar... — Quando ele finalmente se virou, estava transtornado. Contudo, ao falar, a calma letal em seu tom era oposta à gritaria que eu esperava. — Ontem, enquanto eu fazia você gozar aqui nessa cama — ele apontou para o colchão — você pensava que eu estava comprometido com outra mulher?
Eu me sentia uma i****a.
Uma total e completa i****a.
Eu não pensei em nada, apenas segui meus instintos. Cedi ao desejo…
— Não tinha certeza, mas achava que poderia estar — tentei consertar. — Transei com você, apesar da dúvida! Deixei-me levar e não considerei minha amiga. Eu sou uma hipócrita, sempre condenei traidoras, e eu sou como…
— Como eu? — Victor me interrompeu. O clima no quarto mudou por completo, o calor e sol de Vegas esmaeceram perto do frio gélido em seu olhar. — Claro, faz muito sentido, não é? Em algum momento você se questionou se eu seria capaz de trair uma namorada? Aposto que não! Porque perdi minha medalha, devo ser um vigarista sem escrúpulos.
No final, ele estava quase gritando, finalmente dando voz à ira contida. Se fosse qualquer outra situação, eu teria medo de uma briga física. Porém eu não era qualquer mulher, sabia revidar e me defender de punhos. E Victor também não era um homem qualquer, a filosofia do judô não era marcada pela violência.
Ele permanecia a uma distância segura de mim, os pés descalços plantados no chão, em base. Apesar de tudo, e mesmo em uma discussão, ele parecia preparado para uma luta. Fechei os olhos por um segundo. No fundo, eu devia saber que ele não era um traidor. Bastou o álcool diminuir minhas inibições para eu me entregar. Victor não era o problema, eu era.
Eu e meu preconceito.
Além de hipócrita, o estava julgando sem ter conhecimento. Ouvi o raspar de objetos sobre a mesa e vi que Victor estava recolhendo o celular e a carteira.
— Eu ia dizer que eu era como eles, traidores… — Meu fio de voz estava longe de ser convincente. Nem eu acreditava que estava falando de traidores genericamente.
Ele pegou uma camisa na mala, porém não se vestiu.
— Olhe para mim e diga que nunca se repreendeu por “desejar” — ele fez aspas no ar, referindo-se ao que eu tinha dito minutos antes — por querer um perdedor como eu.
Respirei fundo, ele merecia a verdade. Ao menos isso, eu devia a Victor.
— Me repreendi sim, porque um profissional capaz de colocar a carreira em risco para ficar mais forte, em vez de treinar, é capaz de cometer muitos outros erros — falei, finalmente desentalando o que estava preso desde as olimpíadas.
Minha revolta não era apenas como esportista, mas também como a fã que um dia fui, antes de ele estilhaçar a imagem de garoto de ouro. Victor balançou a cabeça para cima e para baixo, quase concordando com o que eu tinha dito.
— Parabéns, Diana! Após tanto tempo, finalmente conseguiu ser sincera. Eu sabia que você pensava assim, estava estampado em seu rosto todas os dias. — Ele finalmente vestiu a camisa. — Acha que sou i****a? Você olhava para mim e não via uma pessoa, mas um ser indigno de nota. Em alguns momentos, acreditei que poderia enxergar algo mais, notei isso pela primeira vez que corremos juntos. Cheguei a ter esperança, porém o desejo sempre dava lugar à dúvida. Ontem, eu… — Ele passou a mão na cabeça, assanhando os curtos cabelos. — Quer saber? Você tem razão, eu cometi um grande erro: vir para os Estados Unidos.
Puta merda! Victor era muito perceptivo. Com seu jeito calado e taciturno, ele observava os detalhes mais do que as outras pessoas. Eu só esperava que fosse capaz de perceber quão envergonhada eu estava.
— Não, Victor… — Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, uma amostra do embaraço que me corroía por dentro.
Ele observou o rastro úmido deixado por ela e se afastou, as feições marcadas por uma expressão confusa. Éramos dois, eu não entendia por que estava chorando. Ser emotiva nunca fez parte de mim, contudo também nunca havia sido tão injusta com outra pessoa antes.
Compreendia a raiva dele, eu também estava irritada comigo.
— Isso não vai funcionar. Eu me demito — Victor disse e se afastou, passando pela porta sem olhar para trás.