1º ENCONTRO
Sábado
09: 04.
Acordo com o barulho forte da chuva, abro os olhos e os desvios para o lado, tentando encontrar qualquer vestígio de que tudo que venho a vivenciar desde aquele dia seja um sonho, ou sei lá, um pesadelo desagradável.
Sentando-me sobre a cama, retiro meus pés de debaixo do cobertor para realmente conseguir se levantar, vejo as meninas de lingerie dormindo, cada uma nas suas camas, com os cabelos sobre o rosto. Então, o meu martírio invade com força brusca.
Eu não estou em um sonho, isso é real.
É a minha triste e infeliz realidade.
Afasto as cobertas e colocando os pés no chão frio, respiro fundo enquanto prendo os meus cabelos. Ficando de pé, rastejo até o canto da parede, calçando uma pantufa, vagando com uma preguiça interminável para o banheiro, onde começo a fazer minha higiene diária como todas as desgraçadas manhãs.
Secando meu rosto, me encaro através do espelho pequeno.
Em que roubada você foi se meter Cibely?
Hoje começaria a minha tortura deprimente. Hoje começa o meu mais belo e novo inferno e para contemplar, um dos infelizes será o meu pecado, e o que me atormenta é saber que não faço a ideia de quem venha a ser.
Inspiro, assopro, respiro, suspiro e o escambau a quatro. Irritada, me pergunto como os malditos pedem que respiremos quando estamos a um passo de ter um colapso? pura mediocridade pedirem para ficarmos calmos quando nossa vontade é m***r um a sangue frio.
Eles nunca se ligam que pedir "calma" em um momento que consolo algum vale de nada é o mesmo que ´´deixa transcender o demônio que tem dentro de você. Vai explodi``
Por fim, saio do banheiro e sigo para fora, indo para baixo, para uma cozinha especialmente.
— Acordada? _ Levo um susto com o dono da boate sentado na mesa, sozinho. — Não foi minha intenção assustá-la. _ Puxou uma cadeira, creio que para eu sentar. Estranho, é, e muito estranho.
Caminho lentamente ao encontro da cadeira e me sento. Nunca fui retraída, mas não é bom contrariá-lo. Imagina o próprio demônio sentado no trono faiscante com um setro nas mãos derretendo por tamanhas chamas. Pois bem, agora multiplica por quatro e acrescenta mais uns mil. Aí está um terço do tão covarde e canalha esse homem pode ser com alguém.
— Hoje você terá seu primeiro encontro e preciso deixar umas coisinhas bem claras. _ Acaricia meus braços e sobe as carícias para meus cabelos. Não tenho tempo nem de barrá-lo e ele os puxava fortemente, fazendo minha cabeça se jogar para trás. Trinco os dentes ou morderia a língua. — Só o que eu te peço vaga*nda de m***a é que se comporte. Você depende deles. Sua vida depende deles. _ Seu olhar de aviso é um mistério de ameaça e fúria. O meu não é diferente, eu procurava uma faca na mesa, no entanto, nada encontrei.
— O que quer que eu faça?... AI ESTÁ ME MACHUCANDO. _Grito, tentando tirar suas mãos que quase arrancava os meus cabelos junto ao couro cabeludo.
Rosno em alívio ao ter minha cabeça pressionada contra a mesa depois de um empurrão bruto e finalmente livre das suas mãos inescrupulosas.
— Se comporte. _ Apontou o dedo em meu rosto, me olhou frio e saiu.
Vou me comportar uma óva! você não vai ganhar um centavo nas minhas custas.
Declaro em pensamento, vendo-o sumir pelo corredor.
***
Observando a entrada do restaurante do vidro escuro do carro respiro profundamente, buscando algum alento e então, me locomovo para fora do táxi, fecho a porta e sigo caminho adentro. Decoração nenhuma sequer eu notei, até porque não vim aqui para isso.
— Senhorita. _ Uma mulher se materializa. A olho e ela sorrir. Seria deselegante revirar os olhos? Por que eu revirei. —Você é a ruiva que o senhor Claus espera. _Percebe. Eu Afirmo. Pelo menos agora tenho o nome do ser que irei jantar. — Me acompanhe, por favor. _ Dito isso, ela seguiu na minha frente. A acompanho, avistando a início um homem sentado abrindo o terno ao me ver.
Chegando perto percebo o quão bonito ele é. Nada que de muito impressionante ou eu não tenho visto antes. Seus olhos são bem marcantes, uma pena que seja só um lobo feroz querendo um prêmio de consolação, ou seja ... minha preciosa virgindade.
A moça me olha e sai, me deixando ali a mercê daquele completo e estranho desconhecido. Engoli em seco, nem preciso dizer que me sinto deslocada. Olho para ele e em seguida para uma cadeira e novamente para ele. Constrangida por ele nem dar sinal de que se levantaria para afastar a cadeira para mim, finjo um sorriso e sento-me. Meu Pai Amado, cavalheirismo aqui passou longe.
— Virgem ruiva... _ Meneia a cabeça. Pouso na cadeira desocupada minha bolsa e não perco meu tempo quando finalmente o encaro e o interrompo.
— Olha senhor, sei lá que diabos de nome você tem. _ É óbvio que não diria seu nome. Fingiria não saber nada a respeito somente para impactar e ser firme. — O negócio é o seguinte, estão vendendo minha virgindade e eu não quero nenhum de vocês para ir mais afundo. Então, prefiro comprar uma daquelas máquinas que tem um negócio de borracha na ponta a ter que te dar. _ Desperto a atenção de todos que estavam no recinto e os dou um tchauzinho como uma miss.
— Olha o linguajar, bela ruiva. _ Comenta ou crítica, isso só até o momento em que seus olhos congelam em meus s***s e ele parece perder toda a concentração necessária para uma boa conversa comigo.
Ok, vamos brincar... que comecem os jogos!
Pouso os cotovelos na mesa e faço com que meus s***s quase saltem para fora do decote, me sirvo com uma água e deixo cair o líquido propositalmente no meio deles. Abro a boca como uma atriz adulta e sorrio.
Na mesa, acima pego um guardanapo, ergo lentamente o olhar para o embuste, focando no seu rostinho bonito e venho a deslizar o bendito guardanapo pelo meio dos meus s***s. Mordo o lábio inferior e contemplo o homem se arrumar no assento sem dizer uma só palavra.
Está impactado, coitado.
Eu no lugar dele também estaria.
Porque eu sou uma tentação. Toda, de cabo a r**o.
— Está vendo isso aqui? _ Aponto para meu decote. Ele já olhava. — Você nunca... ouça bem, nunca vai passar a língua ou suas mãos imundas neles. Sabe a minha bela rosadinha? _Ele novamente se remexe, incomodado, passa um segundo e ele me encara. —Você nunca vai ter o privilégio de entrar nela com o seu pintinho calejado e torto. _Debocho sem perder o tom de voz. — Agora limpa. Tá sujinho aqui. _Encosto as costas no encosto da cadeira e toco o canto da minha boca, piscando para ele como o d***o. Por ora, noto olhares alheios e jogo o guardanapo na mesa.
O homem na minha frente, de repente, começa a tossir, escondendo o rosto com as mãos.
Ficou com vergonha o pobre desgraçado.
Não saber brincar e descer para o brincar é cilada. Felizmente, sempre eu soube disso.
Desvio o olhar, inclinando a cabeça para o lado e presencio várias pessoas cochichando. Em desaprovação, balanço a cabeça.
Bando de curiosos desocupados.
— Senhorita? _Um rapaz alto me estende o cardápio, me tirando dos devaneios.
— Bom, já vou logo fazer os pedidos. _ Falou o homem sentado na minha frente, analisando o cardápio. — Risoto e lagosta e para acompanhar traga um vinho, o melhor da safra, por favor. _Elevou o olhar. — Para ela, bom, para ela creio que uma saladinha e um suco. _ Entregou o cardápio e arqueou uma sobrancelha.
Descrente, eu o encaro. Estou também incrédula. Saladinha e um suco, mais que porcaria de homem "pão duro" é esse na minha frente?
Deus me livre!
— Acha mesmo que eu mantenho as minhas coxas fartas, o meu traseiro enorme e os meus p****s pulando para fora com uma saladinha? Você realmente conhece as mulheres ou é um enrustido por trás de toda essa pinta? _ Sorrio, diabolicamente. — Se você é gay. Nada contra, amore.
Observando o garçom, o vejo rindo.
— Então. _ Passo a olhar na lista de pratos. — Me traga uma vodka da mais forte porque com certeza eu vou precisar, me traga uma porção de arroz, repolho cozido, batata frita. Vou experimentar a lagosta também e me traz polvo, uma porçãozinha pequena de feijão, macarronada no alho... e de sobremesa, bolo de coco gelado com sorvete de creme. _Entregando o cardápio para o garçom vislumbro a expressão insatisfeita do homem e, tenho a impressão que foi pouco o meu pedido e o trago novamente o cardápio. — Sim, me traz a panna cotta também. _ Por fim, entrego o cardápio e travo uma guerra para não soltar uma gargalhada esganiçada.
De cenho franzido o homem parecia meramente assustado.
— Quer mais alguma coisa? _Ironizou e eu n**o, me esforçando para não sorrir. Limpo minha garganta e com meu olhar de c****a sem dona, o olho entristecida.
— Eu já passei muita fome na vida, senhor. E hoje, diante de uma oportunidade dessas, de provar o que nunca comi, outros sabores e temperos... meu paladar necessita. _ Falei cabisbaixa, e é claro que eu estava mentindo para fazer-lo se sentir um crápula.
— Pode experimentar s*xo também.
Perco a paciência.
— Você é burro mesmo, em cara! _Gesticulo como um animal doente. — Acha mesmo que eu sou virgem? Não percebe que só estão a depenar você. _Sacudo a cabeça de um lado e outro, lamentando por ele.
Ele vira o rosto, bebendo algum líquido que já bebia quando cheguei.
— já estou me arrependendo dessa porcaria. _Foi grosso.
Por dentro, solto um sorriso gigante. É exatamente isso que eu quero que ele sinta. Todos vão sentir.
— Isso que dá ficar fazendo negócios por aí sem ler o contrato, não esqueça que letras grandes dar e as pequenas te tiram. Por isso, o senhor entra em tanta roubada. _ Confidencio e os olhos do maldito estão atentos em mim, mortalmente. Posso admitir com convicção que seria estrangulada se estivéssemos a sós.
Os pedidos chegam, observando toda aquela quantidade de comida que era pousada sobre a mesa me arrependo interiormente por ter pedido. O garçom sai e é minha deixa para começar a comer, não comer bonito como a maioria faz de garfo e faca, pegando os talheres de fora para dentro e a baboseira toda. Eu como. Como sim, com as mãos. Falo, falo sim, de boca cheia, derramando água pela mesa de forma que pareça desastrada, faço definitivamente o d***o a quatro. Quem mandou ser o primeiro. Nem preciso declarar que espero do fundo do coração que seja o último, porque estou a trabalhar arduamente para isso.
— Vou ao banheiro. _ Horrorizado, ele se levanta e sai.
Uma gargalhada é inevitável. Me contendo, pego um guardanapo e me limpo.
Será que estou muito ferrada?
Me pergunto, coçando a testa ao lembrar das palavras ameaçadoras do dono da boate. Vendo o garçom, aceno para ele vir até mim e peço para que ele tire a mesa. Bom, não comi absolutamente quase nada apesar de me lambuzar toda.
Pensei sim em me controlar e comportar-se como fui avisada antes de vir, porém, quando me obrigam a fazer o que não quero, é outros quinhentos.
O tal Claus volta e não senta novamente como achei que faria, apenas pede a conta, pega no meu braço brutalmente e praticamente me arrasta para fora do restaurante. Para minha surpresa, um táxi jazia a nossa espera.
Nervosa, arranco meu braço do seu aperto e o empurro.
— Espero nunca mais vê-la de novo. Você é louca! gastei uma pequena fortuna com você e pena eu tenho do coitado do homem que te escolheu. _Ele resmungou tão rápido que parecia simplesmente eufórico.
Em resposta e domada pela raiva, cuspo em seu rosto.
— Está muito seco, não iria rolar... molhadinho assim, quem sabe não entra. _ Rindo, corro para o táxi e entro imediatamente. Bato nos ombros do taxista. — Vai, da partida moço.
O carro é colocado em movimento e olhando do espelho, vejo o homem em pé completamente indignado.
Que fracasso Cibely...