Capítulo 2

1026 Palavras
Elizabeth Saio do meu devaneio quando ele aproxima-se um pouco mais e não posso deixar de reparar novamente em seus belos olhos. - Elizabeth, você precisa de algo? Parece um pouco perdida. – pergunta solícito Espera aí. Ele sabe meu nome, nesse caso ele deve saber quem eu sou e o que está acontecendo comigo. Esse pensamento me deixa gelada com o pensamento de que ele só me ajudou por pura pena. - Não. Como você sabe meu nome? – resmungo. Ele parece perceber o meu mau humor repentino e levanta as mãos em sinal de rendição. - Wow, calma aí. Eu sei por que eu tive que pegar seus documentos na bolsa para preencher os papéis na recepção. – diz calmamente. Ok. Mancada minha pensar que todos sabem o que me aconteceu. Acho até muita presunção que todos estejam cientes da minha miséria. Boa Lizzy! Você não poderia ser mais grossa e i****a se quisesse. Que tipo de pessoa fica de cara f**a só porque outra pessoa sabia seu nome sem que você tivesse dito e em seguida pensa que já sabe de toda a história da sua vida? Patético. Dou-me uma surra mentalmente, não menos. Eu sou uma i****a. Ruborizei envergonhada. Oh Deus. Será que eu podia ser mais ridícula nesse momento? Nossa, não acredito que eu resmunguei para o homem que me socorreu umas horas atrás e agora estou ruborizando como uma adolescente. Sério. Nunca fui disso, mas parece que Gabriel está despertando esse lado i****a e abobalhado. - Me desculpe. É que eu não confio muito nas pessoas. – digo olhando para baixo. Continuo olhando para minhas mãos que estão mexendo e contorcendo, quando sinto um dedo levantando meu queixo me fazendo olhar para cima, direto no seu rosto lindo. Perco o fôlego quando vejo seus olhos em mim, carregados com o mais terno sentimento de todos. Não consigo desviar os olhos. Como uma pessoa que eu conheci em uma situação tão desesperadora e deprimente pode me fazer sentir tantas coisas de uma vez só? Quero me entregar, mas não sei ao quê. Sinto um turbilhão de emoções borbulhando para a superfície, logo eu que pensava que não poderia mais sentir. Que estava dormente. Morta. Arrasada. Mas ele me fez sentir. E eu senti. Senti tudo. - Você pode confiar em mim. – Gabriel disse. E naquele momento eu acreditei. Acreditei que eu não estava morrendo e que eu não tinha nenhuma preocupação. Acreditei cegamente que eu não estava na cama de um hospital, que tudo poderia ser diferente. Infelizmente o nosso momento só durou um segundo, depois se perdeu quando o peso da realidade me oprimiu, levando para longe de mim meus sonhos românticos e seguros. - Gabriel... - Não, por favor, não diga nada agora. Eu sei que o que eu pedi é muito difícil, mas eu não sei o que estou fazendo. Eu simplesmente tenho um desejo insano de te proteger e de que você confie em mim. Tenho uma vontade estranha de te abraçar e te proteger desse mundo f**o. É só uma coisa fora do meu estado normal. Acho que é cansaço. – suspira. - Ok. Eu vou pensar. Você deveria ir, parece estar muito cansado. Eu sei que você passou o tempo todo aí fora. – digo. Fico automaticamente triste só de pensar que ele vai embora. Gostaria que ele pudesse passar o resto da noite, mas talvez ele tenha alguém à sua espera em casa. Talvez ele seja casado. Droga! Porque não pensei nisso antes. Pigarreio me sentindo embaraçada por não saber se eu estava tendo fantasias com um homem comprometido. d***a, como eu vou saber se ele tem alguém? Eu realmente não quero ter pensamentos sujos sobre alguém que não é livre. Ok. Vamos lá. Hora de sondar o terreno. Seja sorrateira. - É melhor você ir. Tenho certeza de que há alguém esperando por você em casa. – ofereço. - Não. Na verdade eu moro sozinho, não tenho animais ou nada parecido. Sou só eu. – diz pensativo. Por fora, sou a rainha da indiferença. Nem um músculo me denuncia. Por dentro, estou fazendo uma dança super maluca e uma porção de acrobacias. Nunca em minha vida fiquei tão feliz em saber que um cara lindo está solteiro. Maravilha! Eu queria gritar de alegria, me jogar nos seus braços e dizer que ele podia me levar pra sua casa. Freei meus pensamentos malucos, afinal estava em uma cama de hospital. Ao invés de me oferecer como uma peça de carne suculenta, simplesmente disse. - Oh. Perdoe-me, eu não queria me meter. Quero sim! Eu quero me meter muito. - Não tem problema. Eu realmente preciso ir. Até logo. – disse. Veio até mim e me deu um beijo na bochecha, mas, nossa! Eu senti esse beijo como nunca senti nada na vida. Foi lindo e fofo. E foi a coisa mais terna e linda que já ganhei. - Tchau. Quando Gabriel saiu e eu fiquei sozinha com meus pensamentos, tive um tempo para levar tudo o que aconteceu hoje em minha mente. Cheguei à conclusão que, muitas vezes as coisas não são do jeito que queremos, mas porque temos coisas maiores e melhores à nossa espera. Independente de quão espinhosa a estrada para isso seja. Talvez, tudo isso que está acontecendo agora não seja o fim para mim. Talvez haja esperança. Talvez, Gabriel seja essa esperança. Como eu espero que isso seja uma verdade concreta no futuro. Afinal, ele é tão atencioso e carinhoso. É difícil pensar que depois de sair do hospital não irei vê-lo outras vezes. E como eu quero ver aquele homem novamente, ele me faz agir de um jeito diferente, eu quero mostrar meu melhor perto dele. Ser melhor. Vou torcer secretamente, para que possamos nos ver outra vez. Afinal, eu quero ter a oportunidade de mostrar quem eu sou sem pedidos de socorro ou desmaios no meio da rua. E também estar em melhor estado. Uma garota precisa impressionar às vezes. Suspirei feliz com minha descoberta reflexiva. Pela primeira vez em muito tempo eu estava tranquila e relaxada. Suspirei novamente e caí em um sono tranquilo e feliz.
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