Capítulo 38
Persefone narrando
Eu tinha passado o dia todo vendendo uns bolo gelado que tinha feito, Sara me ajudou com os ingredientes que tinha na casa dela e fui correndo fazer o que conseguia, eu tinha passado a tarde caminhando para cima e para baixo e me sento em um degrau em um beco e fico ali pensando, eu enrolo meu cabelo e vejo que minha corrente se desprendeu, eu pego ela na mão e ela era uma corrente de uma pedra verde com a letra ‘’T’’ atrás, eu nunca soube o que ela significava, mas sei que ela está comigo desde que eu me entendo por gente, ao mesmo tempo que fico olhando para ela, lagrimas começa a descer pelo meu rosto.
Por que eu mereço passar por tudo isso?
Eu nasci e me criei no morro, mas nunca tive família e até hoje eu não entendo o porquê nunca fui para um orfanato como as outras crianças, aqui dentro não existia nenhum, existia o hospital que era pequeno na época, a escola, uma igreja e uma pequena ong que hoje a Ursula toma conta e fez ela virar gigante.
Eu me lembro que eu morava entre o hospital, a igreja e a ong, ficava dias em um lugar, depois me levavam para o outro e para o outro, eu ia a escola e sempre era dolorido, sair de lá sozinha aos 4,5 anos de idade, enquanto as outras crianças os pais iam buscar, nunca participei de um dia da smães ou de um dia dos pais porque não tinha ninguém por mim, eu sempre era a criança que auxiliava a professora durante a apresentação, enquanto as outras se apresentavam e recebiam os aplausos dos pais.
Quanto tinha uns 6,7 anos a igreja fechou e a ong fechou os quartos que tinha, eu só tinha o hospital para ficar, dormia em leitos vagos e quando não tinha leitos vagos, eu dormia em cima de uma coberta no chão gelado dele. A professora sempre me dava um lanche extra para levar para que eu comer, na maioria das vezes eu comia o que sobrava, após a igreja e a ong fechar, as pessoas que frequentavama igreja me levava para suas casas 2,3 dias, as vezes eram camas confortáveis e comidas boas e fartas, outras vezes eram chão gelados, passando frio e com a sobras das comidas, muitas vezes apanhei, muitas vezes abusaram de mim e eu não podia fazer nada, eu era uma criança, com medo e ameaçada.
Aos 10 anos de idade dentro do hospital fui abusada por um médico, lembro do seu rosto, dos seus olhos, das suas mãos nojentas, da sua boca fedorenta e do seu corpo gordo, lembro do meu corpo sangrando e ele me ameaçando para ficar quieta.
O que eu poderia fazer? Se eu abrisse a boca, eu poderia morrer!
Logo depois o médico foi embora e parecia que minha paz tinha voltado, mas os meses ia passando, os dias iam passando, e eu ia crescendo sozinha, apanhando da vida e das pessoas, sendo massacrada, abusada e torturada psicologicamente. Muitas vezes fui dormir com fome, muitas vezes, com frio, muito frio porque não tinha roupa ou coberta para me tampar.
Até que um homem me ofereceu dinheiro para buscar d***a para ele e percebi que poderia ganhar dinheiro, eu tinha 11 anos de idade, comecei a pegar quantias pequenas e a vender, eu já tinha sido tão estuprada que para mim, um homem me encostar já era normal, então achei que poderia suportar , aos 14 anos de idade fiz meu primeiro programa.
Logo, pedi uma vaga de emprego a Olivia e ela me ofereceu o quarto para morar, estava lá a 3 anos já, eu sabia que poderia ir e vir, fazer os meus corres, meus programas que pelo menos um lugar para dormir eu tinha.
E agora? O que eu tenho?
Nada!
Mas não era nada diferente do já foi na minha vida, não era nada diferente do que eu já tinha passado.
Eu olho para o colar e coloco ele de volta no meu pescoço, quando penso em me levantar, eu dou de cara com um policial apontando uma arma para mim.
— Mão na parede – ele fala – anda, mão na parede p***a!