Capítulo 6

718 Palavras
Narrado por Ricardo Monteiro Alves Nem lembro como consegui chegar em casa depois da bebedeira de ontem a noite, mas eu cheguei. Depois da Larissa ter me contado sobre a gravidez saí de casa pra beber e tentar racionar como eu iria resolver esse problema que ela havia me metido. Lembro que bebi muito ontem no Clube Purple, um clube que eu e meus amigos temos o costume de ir, mas não lembro como fiz pra chegar em casa. O copo de vidro arremessado pelo meu pai se estilhaçou na parede bem próximo ao meu rosto. O velho havia descoberto sobre meu rolo com a Larissa e pior ainda, sabia da gravidez. O filho da p**a era um desgraçado, raposa velha criada. --- Você perdeu completamente o juízo seu moleque. --- A voz dele ecoou pelo meu apartamento e pareceu dar eco na minha cabeça. Grave, afiada, carregada de desprezo e de ódio. --- Uma bolsista da nossa faculdade, uma pobretona que não tem nem onde cair morta, grávida do meu filho. Você tem ideia de como isso suja o nosso nome? --- Respirei fundo tentando ter paciência e pensar com clareza, mas a enxaqueca que eu tava sentindo não me permitia ser muito eficaz nos meus objetivos. O gosto amargo do álcool ainda estava na minha boca, a cobertura parecia pequena pra nós dois. Nunca me dei bem com o meu pai, principalmente depois da morte da minha mãe, ele nunca foi um pai bom ou amoroso mas não deixava de ser meu pai, tinha poder sobre mim e podia me destruir se quisesse. --- Eu sou resolver pai. --- Respondei, seco. --- Ninguém vai saber, vou resolver isso. --- Falei confiante sabendo que tenho controle total sobre a Larissa e que por mais que ela falasse que não iria abortar, no final ela ia fazer o que eu mandasse. Ela sabia quem estava no comando. --- Você vai resolver? Vai resolver quando em? Quando deixar de pensar com o p@u seu moleque? --- Ele foi se aproximando de mim, seu olhar frio parecia me analisar com indiferença, como se eu não fosse um nada pra ele, como se eu não valesse de nada e aquilo me dava um ódio, se eu pudesse o matava. --- Uma favelada pobretona grávida pode parecer insignificante, um nada, mas se não for resolvido de uma forma eficiente, acaba virando um escândalo. --- Meu maxilar se contraiu a cada palavra que ele pronunciava. --- Ela não vai tirar nada da gente pai. Não vai sujar o nosso nome e nem vai pegar nem sequer um real do nosso dinheiro. --- Respondi com firmeza o olhando, c@r@lho, se eu tô falando que vou resolver é porque eu vou porr@. --- Nosso dinheiro? O que está em jogo aqui é o meu dinheiro Ricardo. Você não tem nada! Tudo que você tem é porque eu te dou. --- Ele falou enquanto fechava os botões do paletó. --- Se a merda que você fez respingar na minha empresa, você vai perder tudo, eu te deserdo. --- O velho saiu fechando a porta atrás de si que bateu fazer um som alto estalar piorando ainda mais minha dor de cabeça. Quando eu comecei a sair com a Larissa achei ela interessante, era uma garota que não vivia dando em cima de mim e muito menos me bajulando, achei ela bonita. Mesmo sendo preta e pobre ela tinha sua beleza, um corpo bonito, sou homem... Não tinha como não perceber. Tomei um banho pra tirar o cheiro de bebida de mim, tomei um café forte e comecei a ligar pra Larissa, precisava falar com ela pra resolver logo esse problema, não faz nem 24 horas que eu descobri sobre essa merda e minha vida parece que virou do avesso. Liguei pra ela várias e várias vezes e sempre dava caixa postal, tentei outras vezes ao decorrer do dia e em nenhuma delas ela me atendeu. Essa filha da put@, deve tá de graça com a minha cara só pode. A cada ligação perdida algo dentro de mim se alarmava, não era medo, era raiva. Não aceito perder o controle sobre nada, ainda mais quando se trata de Larissa, uma Zé ninguém que eu fodO que parece me querer fazer perder o controle das minhas próprias mãos.
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