O dia clareou como se zombasse de mim. As primeiras luzes invadiram o quarto pela fresta da cortina e me encontraram do mesmo jeito da madrugada: acordada, com os olhos inchados e o coração apertado. Vicente dormia no meu colo, finalmente rendido depois de horas acordando e dormindo em intervalos curtos, talvez sentindo a mesma agonia que eu. A cabeça doía. O corpo inteiro doía. Mas era o coração que parecia esmagado dentro do peito. Levantei devagar, coloquei o Vicente no berço e fui até a cozinha. Fiz um café ralo, sem gosto. Sentei à mesa com as mãos no rosto, sem coragem de comer. A casa ainda parecia fria, vazia. Sem ele. Tinha deixado a porta da frente encostada. Eu não queria trancar. Queria fingir que ele podia voltar a qualquer segundo. E ele voltou. Ouvi o rangido leve da p

