Eu ainda tremia quando a porta se abriu de novo. Não era ele. Era uma mulher. Morena, cabelo preso num coque, vestida com simplicidade, mas com uma firmeza no olhar que me travou. Ela entrou apressada, fechando a porta atrás de si. Tinha cheiro de sabão e panela no fogo. — Fica calma, menina. — disse, com a voz baixa, mas firme. — Ele me pediu pra cuidar de você até tudo se acalmar lá fora. — Quem é você? — perguntei, apertando Vicente contra o peito, a voz falhando. — Sou dona Ivonete. O João conhece meu filho. Já salvou a vida dele. Vocês estão seguros aqui. — Ela caminhou até a janela, espiando por entre a fresta da cortina grossa. — Foi até bom, vocês não terem ido pra casa, os policiais poderiam bater lá. Assenti devagar, ainda confusa. A cabeça rodava. — Eu não quero ficar aqui

