Chegamos em casa perto da hora do almoço, e o silêncio da sala me abraçou como um cobertor depois do corre-corre da manhã. Vicente ainda dormia no bebê conforto, exausto do choro e da picada da vacina. Eu tirei o casaquinho dele devagar, tentando não acordar, e levei direto pro bercinho do lado da cama. João largou a pasta com os papéis da consulta em cima da mesa e foi direto pra cozinha. — Vou fazer um arroz e feijão com ovo. Serve? — Desde que não queime o arroz igual da outra vez. — Eu tava distraído! — ele respondeu, já abrindo a geladeira com aquele jeito prático dele. — Hoje vai ser digno. Eu me joguei no sofá. As pernas pesadas, a cabeça meio distante. Era como se meu corpo ainda não tivesse entendido que Vicente nasceu. Eu andava cansada o tempo inteiro, mas não trocaria essa

