61 - Valentina

928 Palavras

A casa estava em silêncio. Vicente dormia no berço, os bracinhos gordinhos erguidos num gesto de rendição inocente. Eu estava deitada de lado, de costas pro JL, mas sentia o calor dele ali, o corpo grande ocupando metade da cama e, mesmo assim, parecendo caber exatamente onde devia. Eu pisquei devagar, tentando entender por que aquela paz ainda trazia um peso no peito. Era como se o silêncio entre nós gritasse. — Cê tá acordado? — murmurei. Ele demorou, mas respondeu com a voz rouca. — Tô. Tá tudo bem? Me virei pra ele, encostando a testa no travesseiro. — Não sei… posso te perguntar uma coisa? — Claro. — Por que cê nunca… me assumiu? Ele franziu o cenho, sem entender. — Como assim? — A gente teve um filho. Você cuidou de mim, me protegeu, fez tudo que ninguém mais fez. Mas… nu

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