O som da água parou, e em seguida ouvi passos leves pelo corredor. A luz do quarto se apagou devagar, e senti o colchão afundar um pouco do meu lado. João deitou com cuidado, cheirando a sabonete de bebê e calma recém-adquirida. Vicente já dormia no berço, soltando aqueles suspiros curtos de recém-nascido que me faziam sorrir mesmo com o corpo todo moído. João passou um braço por cima de mim e me puxou com cuidado pro peito dele. Era um gesto simples. Mas depois de tudo que a gente viveu, aquilo tinha um peso… um aconchego que nenhuma coberta no mundo podia oferecer. — Pode descansar, amor — ele murmurou contra meu cabelo, com a boca encostando de leve na minha cabeça. — Tá dando conta de tudo lindamente… até quando acha que não tá. Fechei os olhos. A voz dele era um cobertor mais quen

