Capítulo 31 — Isidóro

1208 Palavras

Já era noite fechada quando o céu se abriu todo, estrelado como nunca vi na vida. Aquele clarão prateado caía no terreiro onde a fogueira ardia alta, crepitando feito alma de pecador no inferno. Nós três — eu, Bento e Teófilo — tínhamos juntado troncos como fazíamos desde meninos, mas aquela noite... aquela noite era diferente. Laysla estava sentada numa pedra lisa, o cabelo loiro solto feito cascata nas costas nuas, as pernas cruzadas e a pele brilhando no lume do fogo. Parecia fada, bruxa, mulher de outro tempo — e era mesmo. Minha garganta apertou só de olhar. Fazia poucas horas que ela dissera que talvez precisasse ir embora. Que seu lugar talvez não fosse ali. Eu fingi calma, mas por dentro ardia mais que a lenha da fogueira. — Ocê vai mesmo embora? — perguntei, a voz saindo mai

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